Cruzando raízes e marés, o novo livro de Roberto Nicolato

Por Adriana Sydor

 

O lançamento de Poemas de terra e mar, de Roberto Nicolato, reuniu leitores, amigos e interlocutores na Livraria Telaranha, no dia 1º de abril, em um encontro marcado mais pelo tom de conversa do que pela formalidade. Com mediação de Tatjane Garcia, a noite se desenrolou como um diálogo aberto, em que memórias e processos de escrita se entrelaçaram de maneira espontânea.

Mineiro da Zona da Mata, com uma vivência de quase 40 anos em Curitiba, Nicolato hoje divide seu tempo entre os dois lugares, mas com um peso levemente mais inclinado a Minas, um trânsito que também atravessa sua obra. Não por acaso, Poemas de terra e mar é o primeiro livro seu publicado por uma editora mineira, já em seu sétimo título, marcando um retorno simbólico às origens sem romper com os caminhos construídos ao longo dos anos.

O lançamento também celebrou um marco: com este livro, o autor completa quase cinquenta anos de escrita poética. A publicação reúne textos de diferentes momentos de sua trajetória, compondo um conjunto que atravessa fases, temas e formas, e que evidencia a permanência e a transformação de uma mesma voz ao longo do tempo.

As imagens do lançamento são de Miguel Martinez-Flecha (@mmflecha).

Lançamento

Perfil

Roberto_Nicolatol

Foto: Miguel Flecha

Roberto Nicolato

Mineiro da Zona da Mata, curitibano por opção, Roberto Nicolato publicou três romances, duas coleções de poemas e, recentemente, o livro de contos Nos domínios de Leviatã & Outras histórias. Autor premiado no concurso Outras Palavras, do Governo do Paraná, com a obra A noite sem tempo (2023), é mestre e doutor em estudos literários pela UFPR.

Resenha

Por Adriana Sydor

Cruzando marés e raízes, os percursos poéticos de Roberto Nicolato

 

 Poemas de terra e mar, de Roberto Nicolato, reúne uma série de textos que se organizam nos termos do binômio referido no título. Esses elementos atravessam o livro inteiro — não só como paisagem, mas como forma de pensar e sentir o mundo. A partir deles, os poemas exploram temas como memória, corpo, natureza, desejo e o próprio passar do tempo, compondo um conjunto que oscila entre o íntimo e o mais amplo da experiência humana.

Nos primeiros poemas, como O que o mar traz e O mar do Pontal, o mar aparece como força agregadora de memórias e resíduos, materiais e simbólicos. Em O que o mar traz, o oceano devolve “troncos, restos civilizados” que se tornam “produtos sem história” (p. 13), sugerindo uma relação entre passado, esquecimento e transformação . Já O mar do Pontal desenvolve-se em múltiplos movimentos, ampliando o espaço marítimo para além da paisagem: o mar é descrito como entidade viva, histórica e mítica, habitada por navegantes, criaturas e narrativas que atravessam tempos distintos.

A presença da natureza é constante ao longo do livro, não apenas como cenário, mas como linguagem. Elementos como pássaros, peixes, plantas e fenômenos atmosféricos aparecem em composições como A casa dos pássaros e Clandestina, onde o mundo natural se entrelaça ao humano, criando uma atmosfera de metamorfose e continuidade entre corpos e ambientes. Nesses textos, a enumeração de espécies, cores e movimentos constrói um efeito de abundância sensorial e imagética. 

A casa dos pássaros abrigará febre terçã,
A inverdade dos fatos, na tevê incessante,
A brisa mansa que chega do oceano
[…]
Sanhaços em sanha, corruíras em transe,
Bem-ti-vim, de papos amarelos,
[…]
Pombos da tempestade, gambás de olhos acesos,
Roseiras exibicionistas, lírios pálidos,
Bromélias alucinadas, orgásticas.

(A casa dos pássaros, pág. 22)

Outro eixo recorrente é o corpo, frequentemente associado ao desejo, à memória e à transformação. Em poemas como Um corpo II e O fauno, o corpo surge como espaço de experiência intensa, atravessado por sensações físicas e pulsões, em uma linguagem que mistura erotismo e elementos da natureza. Essa dimensão também se conecta ao tema do amor, presente em textos como Amar sem fim e Os amantes, onde o sentimento é descrito tanto em sua dimensão íntima quanto em sua inscrição em ciclos naturais e cósmicos.

O livro também incorpora referências culturais, históricas e mitológicas, como em Davi e  Paraty, aproximando diferentes tempos e tradições. Essas referências não aparecem como reconstituição narrativa, mas como fragmentos que dialogam com o presente do eu poético.

O homem que hoje me revela,
Superfícies, arpejos, desejos,
Doses únicas de ilusões…
[…]
O homem que forjou o mar
O homem que forjou a terra
Davi na eterna luta com Golias,
A história ali em mãos outras.
[…]
E agora irrompe, em pedra certeira.
Nada pode conter o que se acaba.

Há ainda um conjunto de textos que se aproxima de uma reflexão mais direta sobre o contemporâneo. Em Cartas ao vento, por exemplo, o eu lírico evoca a escrita epistolar tradicional ao mesmo tempo em que a tensiona com o universo digital, mencionando “gigabytes de paixão” e “telas visíveis” (p. 34), sugerindo mudanças nas formas de comunicação e memória, “Minhas palavras vãs dissolvem-se / no curto espaço de uma tela aberta / na tua, computadorizada memória”. Já em A verdade nos libertará? e Diagnóstico, surgem elementos de crítica social e existencial, com referências à mídia, à violência e às tensões do mundo atual.

Tragédias se repetem na tevê. A última maravilha do século ainda está por vir.
Que nos levem para o racionalismo duvidoso, ao quedar dos sentidos…
Serei o nobre doutor, expert na arte da informática, o caluniador dos jornais,
o livre arbítrio da multifacetada e imaculada palavra impressa, imprevista.

(A verdade nos libertará?, pág. 41)

Formalmente, os poemas apresentam predominância do verso livre, com quebras que favorecem o ritmo e a construção imagética. A linguagem oscila entre o concreto e o abstrato, com uso frequente de metáforas, enumerações e associações inesperadas. Em alguns momentos, há aproximação com a prosa poética, sobretudo nos textos mais longos e discursivos.

Ao longo do livro, a articulação entre terra e mar não se limita ao plano temático, mas organiza uma espécie de geografia poética, na qual paisagem, corpo e memória se interpenetram. O resultado é um conjunto que se constrói pela justaposição de imagens, vozes e referências, oferecendo ao leitor um percurso que atravessa diferentes estados.

Entrevista

A memória recente ou mais antiga, no fundo, é matéria-prima essencial da minha poesia e também dessa produção poética que navega por um tempo imaginário, qual seja, as paisagens oceânicas (neste caso, o mar do Paraná), e o tempo mais longínquo, retratado numa profusão de imagens de uma Minas Gerais histórica mítica, que é a minha terra natal. Eu nasci numa pequena cidade de colonização italiana, na Zona da Mata mineira, nos idos anos 60, numa família de agricultores, de intensa religiosidade e parcos recursos financeiros, mas com riquíssimas experiências e modos de vida e que sempre trago comigo. O tempo que nos atravessa, e como reagimos a ele, traduz-se na matéria-prima necessária ao fazer literário e comigo isso acontece naturalmente. Acho que, assim, consigo dar um caráter de verdade aos meus escritos. Matérias-primas do sentimento e da minha razão. Do mesmo modo como a contemplação mística que acompanha esse poeta hedonista, anárquico e, porque não romântico, para quem a um bom entendedor “um símbolo basta”. Em “Poemas de terra & mar”, eu coloco em evidência as múltiplas influências de um ofício iniciado ainda cedo: o jogo de moldar palavras, frases, contingências, ou seja, o ofício da poesia. Assim, dialogo presente com passado, em cadência musical, nas imagens de um universo pleno, mutável e desagregador. O mar e a montanha traduzem-se na espinha dorsal do meu fazer poético em que estão em evidência o amor, o homem e a natureza. Para isso contribuiu a minha quase permanência, por dez anos, no litoral paranaense, mais especificamente no Pontal do Paraná, de onde eu avistava, em minhas caminhadas a exuberante Ilha do Mel. Ali, pude conectar tempos e espaços diferentes, alheio às exigências da vida urbana e dos compromissos. Busquei criar uma profusão de ritmos e cores. Um exagero do belo. Por fim, no livro “Poemas de Terra e Mar”, o poeta ressurge como um artífice, capaz de moldar um palavrório do que restou após a turbulência, de um voo raso e bastante profundo, no enfrentamento da tempestade. Restaram não apenas destroços de um tempo pandêmico, mas também um caudal de versos compostos, desenhados ao som das ondas, nas madrugadas. A visão do mar aberto, se estendendo na imensidão ficará na memória e nas páginas desse livro, de um corpo seguindo marcas deixadas na areia da praia, debaixo de um céu azul ou ameaçador de uma natureza intocável.

Eu gosto de trabalhar com essas referências tanto na minha produção poética quanto ficcional. São citações, intertextualidades, paráfrases e, com isso, acredito que posso expandir as experiências sensoriais e de conhecimento do leitor, além de oferecer um caráter mais universal aos meus escritos. Contribuem para isso as leituras de obras poéticas ao longo da minha vida, assim como a incorporação do meu aprendizado teórico. Quero dizer, no entanto, que esse processo acontece naturalmente, sem o “forçar a barra”, porque antes de tudo, a minha poesia é feita de insigths, epifanias. Emoção e razão. Como diz a poeta mineira Adélia Prado a poesia está além de mim, ela me ultrapassa. Realmente, esse processo se dá de modo fragmentado, como uma chave, como algo a ser descoberto por uma leitura mais atenta e isso não quer dizer que escrevo apenas para os “entendidos”, mas que gosto de causar surpresas, que o poema seja algo a ser decifrado, descoberto, por diferentes modos de leitura.  Neles estão, por exemplo, citações da mitologia grega, cadências e alusões de outras obras, fragmentos da nossa história e cultura, realçados em novos contextos… Como a própria vida, um exagero de significâncias. O principal, que é a busca da essência humana, está ali para qualquer entendimento. Diria que são incorporações fruto de um fazer poético onde os diálogos na arte, nesses novos tempos, já é algo compreensível, aceito e estimulado. Mas com uma dicção muito própria que procuro alcançar. No fundo, a busca é sempre do que é mais belo em todas as coisas e na expressão humana, do que nos alegra ou causa sofrimentos.

Esse processo está presente nos meus três livros de poesias: Pequeno tratado do amor e da natureza, A noite sem tempo e Poemas de terra & mar. Nessa trilogia, em que alternam produções recentes e guardados ao longo de mais de quarenta anos, há sim, a preocupação em traduzir uma experiência sinestésica do poeta com a natureza, no sentido da contemplação, numa espécie de desautomatização dos sentidos. Ou seja, voltado para o sentido oculto das coisas, para um olhar novo, inaugural e menos óbvio do que o universo e a vida cotidiana nos oferece. Os livros, que integram essa trilogia poética, podem ser vistos em uma estrutura linear crescente, em versos a priori curtos, depois mais longos, balizados pela diversificação temática, buscando conceituar ou ampliar o que é vivido, experimentado, até torná-lo matéria de poesia, com o que há de mais singelo, crítico ou anárquico. O meu primeiro livro Pequeno tratado do amor e da natureza já trazia essas preocupações, apontando para essas clarividências, em poemas não muito longos, mas cuja densidade é capaz de criar a mais pura revelação da irmandade natural entre homem e natureza, esse templo de amor e contemplação. Da natureza, do homem. Como num tratado. Da natureza que molda o homem, aos seus caprichos, mas que também o liberta no seu infinito olhar. Da natureza que se faz protagonista, oculta, clandestina. A segunda coleção de poemas A noite sem tempo traz uma peculiaridade e, mais do que isso, a marca de um tempo assombroso, pois boa parte dos poemas foram escritos durante a período da pandemia. Há nisso tudo, não apenas essa relação intrínseca com os elementos da natureza, porém alcança caráter universal ao ampliar o horizonte de preocupações, em poemas longos e reflexivos, muito além dos temas que afetam o cotidiano da nossa aldeia. No mais, o livro atenta para a ameaça antidemocrática e o ressurgimento de teses fascistas em terras brasileiras. Já a obra Poemas de terra & mar, último livro dessa trilogia, reconecta o poeta de um passado em terras mineiras, nas montanhas, com a vivência vasta de um universo sem porteiras. O mar. De uma universalidade que encontra ressonância nos pequenos barcos e navios ao largo. Dos pássaros que cantarolam ao amanhecer, às imagens que sobreviveram nas gavetas e que carrego comigo nas minhas andanças. De fato, há em comum nessas três obras o retrato de um tempo jovem, quando era preciso certa dose de rebeldia em face de um universo que sempre nos quer atento mas, antes de tudo, em completa e leve imersão.

Realmente, como um bom geminiano, o meu trabalho tende para a pluralidade não apenas temática, mas também de gêneros (nem sempre bem delimitados) e isso, muitas vezes, resulta numa certa problemática na busca de uma produção mais uniforme… Mas como é da minha natureza a dispersão, os múltiplos interesses e capacidade de absorção dos estímulos que me cercam, tento tirar proveito e não transformar isso num problema. Pelo contrário. Afinal, vivemos em tempos nada instáveis em que tudo que é sólido se desmancha no ar, não é mesmo? Nos meus textos ficcionais e poéticos há, sim, diferenciação na construção da linguagem e modos de produção. Nos romances, o que está em jogo é o exercício da memória em alternância dos espaços e tempos em que se movem os personagens. O romance Do outro lado da rua, por exemplo, e pelo qual tenho muito apreço, trata-se de um texto experimental em que conjugo primeira e terceira pessoas, numa metanarrativa que se passa nos tempos atuais e numa Curitiba dos anos 50. O próprio romance é uma continuação do conto Uma vela para Dario, de Dalton Trevisan e o livro todo é um exercício de como construir uma narrativa para chamar atenção do leitor, sobre os limites entre realidade e ficção, conjugando literatura e jornalismo. Gosto de trabalhar também com os processos de montagem e estruturas diferenciadas.  Na poesia, o trabalho com linguagem é mais complexo, pois que é possível criar ritmos, musicalidade, projetar o leitor no universo imagético, por meio da polissemia. Cada palavra, um som. Cada rito uma imagem. O poema como uma oração, como um ritual litúrgico a ser declamado em voz alta. Quanto ao processo de produção, acredito na poesia mais como fruto de inspiração, insights, como um jogo de moldar palavras, as quais se encontram em algum lugar esperando ser encadeadas para criar uma nova vida, um novo sentido. Depois vem a razão, o trabalho de burilar ou não… Já os meus escritos ficcionais também são revestidos de poesia, mas diferentemente trata-se de um processo que exige disciplina e uma imersão cotidiana na vida dos personagens e de um exaustivo trabalho com a pesquisa.

Confesso que com o livro Poemas de terra & mar eu tive a sensação de ter ‘limpado as gavetas’, navegando por um manancial poético do tempo de agora e do passado. Como já disse, os três livros compreendem mais de quarenta anos de poesia na história desse escritor.  Posso afirmar que é uma antologia do muito que não foi publicado, pois só comecei a editar os meus livros em 2013. Na verdade, compreende uma parcela não desprezível de textos que se mantiveram intocáveis, outros que exigiram adereços e um novo sentido, e até aqueles em que restaram o espírito vivo de uma percepção, sentimento ou compreensão do mundo. Neles, era preciso preservar a sua época, a essência, ou até criar uma nova forma, estrutura. A poesia me chega em ondas. Reflete o tempo e o lugar onde vivi. Tenho por conta. As influências momentâneas. Nela, pode haver o clamor da juventude anárquica, daquele que imagina ser um sujeito tímido, rebelde, avesso às convenções ou o olhar extasiado perante o amor e a natureza. Esses escritos não sobreviveriam por si sós. Faltavam-lhe musculatura. Por isso, muitos ganharam novas versões e, o melhor, passaram a integrar um corpo poético, substancial, ao lado de outros de agora e mais maduros. Enfim, nesses se fundiram, ganharam unidade e compreensão do leitor do tempo e do espaço em que foram moldados. Assim, espera-se. Eu escrevo desde os treze anos de idade, inclusive nessa trilogia há um poema feito aos dezessete e que está no meu primeiro livro. A poesia me acompanha por toda vida, gesta em silêncio no meu coração e na minha alma, e quando menos dou conta ela me assalta, me surpreende, quase pronta nesse caminho desconhecido de buscas e prazer, que somente se consubstancia no ato da leitura.

Ficha bibliográfica

Poemas de terra e mar, de Roberto Nicolato, 72 páginas, 40 poemas, revisão de Tatjane Garcia; capa e editoração de Cecília Rosa. Ouro Preto: Caravana, 2026.

Trecho

Poucas palavras (pág. 44)

Tudo já foi dito ou
está escrito nos livros.
Antes dos pergaminhos,
tábuas da lei, os deuses
falavam às criaturas,
Palavras explodidas,
convictas, rebeldes,
em castelos e palafitas.
Simples palavras,
sonoras linguagens
nasceram benditas,
benzidas, nas estampas,
verbo tornaram-se,
carne extasiada,
em Caravaggio,
imagens maculadas,
de luz e escuridão.
Desde o seu nascer
que a palavra alenta
cantigas, espasmos,
o grito de horror
nas telas do pintor,
que se indigna,
nos refúgios, guerras,
em promessas vãs.
A palavra falada
que movimenta
e desatina, rompe
as celas, liberta
cadeados, alada.
A palavra dita
nos sermões,
vívida, ameaçada,
que acalenta
a tempestade,
Embala os sonhos,
do novo, ancião.
Quando aprisionada
nas mentes sãs,
fora dos sentidos,
Corroi, assassina
a temperança,
a palavra maldita
os amantes a
arrebatam à beira
da dor e paixão.
Expulsa do paraíso,
a palavra movimenta
atenta, retorna
ao primevo tempo
de rituais, adivinhações,
nas matas, nos templos
a palavra cristã,
pagã, apoplética,
inventa canções…
Vaga pelas cidades,
céus e purgatórios,
a palavra ensaiada
nas danças de salão,
em máquinas velozes
que trituraram mãos.
Desde que assumiu
o rosto do mistério,
fonte de luz e calor,
que a palavra
estampou-se no véu
dos arrependidos,
dos beatíficos,
iluminaram tabernas,
divindades do verbo,
chagas de Santo Antão.
Proferida nos oráculos
Da deusa, no rádio,
Nas redes e televisão,
a palavra fina, espessa,
de fio tensionado,
espalha frases arredias,
falsas tecnologias…
Por ela, Semeão subiu
no pedestal de pedra,
Caronte navegou
seu barco bêbado,
Narciso se antecipou,
no lago, mirou o caos.
São essas as palavras:
a oculta, a iluminada
a sempre viva.
Tirésias, sabes então,
que são essas as poucas
que juro e profiro.

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