Por Adriana Sydor
No domingo, 16 de agosto, o Museu Paranaense se transformou, por algumas horas, em ponto de encontro entre futebol, fotografia, jornalismo, música e memória. Entre exemplares recém-saídos da gráfica, conversas que começavam por uma lembrança de Pelé e terminavam em alguma discussão sobre futebol, ou faziam exatamente o caminho contrário, Sandro Moser lançou Foto e Bola: histórias de 10 fotografias de Pelé.
O ambiente também convidou ao ritual social que acompanha os lançamentos: amigos, colegas de profissão, personagens ligados à cultura e ao futebol, leitores curiosos, reencontros, dedicatórias e música de altíssimo nível com As Brejeiras.
É difícil precisar quantas centenas de pessoas passaram pelos jardins do museu. Fila imensa para adquirir o livro outra maior ainda para garantir um autógrafo, mas ninguém parecia aborrecido, porque a espera era também oportunidade para reencontros e novas conversas.
O livro, publicado com recursos da Lei Rouanet, foi distribuído gratuitamente para os presentes.
Os registros são de Miguel Martinez-Flecha (@mmflecha).
Ficha bibliográfica
Foto e Bola: histórias de 10 fotografias de Pelé, de Sandro Moser, com 212 páginas. Capa e projeto gráfico: Lumen Design e coordenação editorial de Isadora Hofstaetter. Curitiba: Bacuri Edições, 2026. Publicado com recursos da Lei Rouanet.
Resenha
Um álbum para ler
Há uma fotografia de Pelé dando um soco no ar que Sandro Moser escolheria para colocar numa cápsula do tempo destinada a explicar o Brasil do século 20. Feita por Lemyr Martins durante a Copa do Mundo de 1970, a imagem reúne, segundo a perspectiva que estrutura Foto e Bola: histórias de 10 fotografias de Pelé, muito mais do que a comemoração de um gol. Nela se cruzam futebol, fotografia, cultura, identidade nacional e uma determinada ideia de Brasil. É justamente a partir desse princípio (embora não seja essa a primeira fotografia do livro) que a obra se organiza: dez imagens de Pelé, produzidas entre 1956 e 1979, tornam-se o centro de investigações sobre os acontecimentos diante e atrás das câmeras.
Realizado com recursos da Lei Rouanet, o livro toma o número dez, indissociável da camisa de Pelé, como recorte para percorrer momentos de sua trajetória sem se apresentar como uma biografia convencional. Cada capítulo parte de uma fotografia e se expande em diferentes direções. De um lado, está o homem que aparece no enquadramento: Dico, o adolescente recém-chegado ao Santos; Pelé, o Rei; o campeão mundial; a figura pública e global. De outro, estão os fotógrafos, suas trajetórias, seus procedimentos de trabalho e as circunstâncias que permitiram que determinado instante fosse preservado.
É esse outro lado das lentes que reúne um time de nomes fundamentais da fotografia brasileira: José Dias Herrera, Evandro Teixeira, Alberto Ferreira, Sergio Jorge, Luiz Carlos Barreto, Lemyr Martins, Luís Paulo Machado, Otto Stupakoff, Domício Pinheiro e Walter Firmo. Para cada imagem, Moser investiga seus bastidores e contextos de criação, tratando-as, como define na apresentação, como breves “biografias” de fotografias.
A primeira delas é também, simbolicamente, uma certidão de nascimento. Em 1956, José Dias Herrera registrou o adolescente Pelé vestindo a camisa do Santos. Moser recupera a chegada do menino ao clube, o contrato profissional, a sessão fotográfica e o percurso posterior de Herrera, cuja convivência com Pelé se transformaria numa longa relação profissional e pessoal. A imagem passa, assim, a carregar a história de um início: o momento em que Edson Arantes do Nascimento começa a se transformar na figura pública que o mundo conheceria.
O procedimento se repete, com variações, ao longo dos dez capítulos. Uma fotografia do encontro entre Pelé e Elizabeth II, feita por Evandro Teixeira em 1968, abre espaço para o contexto político daquele ano, para a visita da rainha ao Brasil e para a trajetória do fotojornalista. O aperto de mãos entre o Rei do Futebol e a monarca britânica aproxima, dentro do mesmo quadro, diplomacia, cultura pop, raça, futebol e política.
Em outro momento, Foto e Bola mostra que uma imagem memorável não precisa necessariamente registrar um feito bem-sucedido. A famosa bicicleta de Pelé, fotografada por Alberto Ferreira, congela uma jogada que, fora do enquadramento, terminou sem gol. É justamente esse desencontro entre o acontecimento e sua representação que ajuda a explicar a força da fotografia: o movimento malogrado se transforma, no instante fixado pela câmera, numa composição de equilíbrio quase perfeito. A imagem de Alberto Ferreira ocupa um dos capítulos dedicados à relação entre o gesto esportivo e a construção visual do mito de Pelé.
Os demais capítulos atravessam episódios como o milésimo gol, as lágrimas de Pelé, a comemoração com o punho cerrado no ar, o coração do Rei, a consagração no topo do mundo, sua dimensão mais íntima e as diferentes imagens públicas construídas em torno dele. Ao fundo, forma-se também uma história do fotojornalismo brasileiro. Antes dos capítulos, o livro dedica espaço à evolução da fotografia jornalística e ao desenvolvimento de uma linguagem visual que acompanharia, nas décadas de 1950 e 1960, a ascensão de Pelé como um de seus maiores personagens.
A linguagem de Moser combina pesquisa histórica e narrativa jornalística, com digressões e referências que vão da literatura à música, da política ao cinema. Em vez de isolar as fotografias como peças estanques, o texto procura devolver-lhes movimento: uma foto conduz a uma reportagem de jornal; a reportagem leva à trajetória de um fotógrafo; e essa trajetória volta a se encontrar com Pelé e com uma época do país.
Há ainda um epílogo, Gols pela vida, que desloca o foco para a relação de Pelé com o Complexo Pequeno Príncipe. O capítulo recupera a criação, em 2005, do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, em Curitiba, único projeto social no mundo a receber formalmente o nome do jogador.
No fim, Foto e Bola propõe uma leitura em que a fotografia não encerra a história no instante do clique. É ali que ela começa. As dez imagens atraem para dentro do livro personagens, acontecimentos, arquivos e memórias de um Brasil em transformação. Pelé está em todas elas, mas o campo de visão é maior: inclui quem o fotografou e as circunstâncias que fizeram daqueles registros documentos de uma carreira extraordinária e parte da memória visual de um país.
Entrevista
Pelé apareceu na cultura brasileira durante um momento histórico rápido e empolgante, que foi o “respiro democrático” entre a morte de Getúlio Vargas, em 1954, e a ditadura militar iniciada em 1964.
Durante este tempo, o país ficou “irreconhecivelmente inteligente”, segundo Eduardo Bueno, e muitas das coisas que a gente reconhece como a identidade brasileira surgiram neste período. Podemos citar a consolidação da escola brasileira de arquitetura moderna, cujo epítome é a construção de Brasília, a bossa nova, o Cinema Novo, a transformação das escolas de samba em grêmios recreativos, um momento importante da emancipação das mulheres e, claro, a era de ouro do futebol, representada com o surgimento de Pelé, seu encontro com Garrincha e as duas vitórias em sequência nas Copas de 58 e 62.
Foi um tempo também de profissionalização e auge da influência do jornalismo nacional, representado pela famosa revolução estética e ética do Jornal do Brasil, que contaminou positivamente o ecossistema das informações. Um tempo ensolarado, em que liberdade e esperança andaram juntas, mais ou menos como no sonho de José Bonifácio, tudo ao som dos sambas-canção, que foi nossa contribuição à era mundial do bolero. Não durou muito e logo o tempo fechou, mas a memória está registrada em muitas das fotos do livro. Como diz o professor Luiz Antonio Simas, Pelé é um “herói civilizador”, representa para sempre um Brasil possível, diverso e agregador, que destoa do projeto de longo prazo da nação, que é de exclusão e segregação.
O momento-chave de Pelé é o célebre texto de Nelson Rodrigues publicado na revista Manchete Esportiva, em março de 1958. Encantado com o garoto que fez um pôquer (quatro gols no mesmo jogo), Nelson vaticinou: “[Pelé] anda em campo como uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se Imperador Jones, se etíope (…) de seu peito parecem pender mantos (…) sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor”.
A partir do título outorgado por nosso grande autor, Pelé encarnou sua condição de realeza. Não um parasita fantasiado e mimado pelo erário. Um rei negro vindo da periferia do mundo. Na realeza de Pelé, a nobreza é incontestável, imediata. A partir de então, Pelé foi como um agente cultural, um embaixador do soft power brasileiro, um ídolo global que ajudou a consolidar a ideia de Marshall McLuhan e ultrapassou os limites do ‘futebolistão’ para influenciar o mundo todo.
Nessa era do scroll infinito, a gente não consegue mais dar tempo ao tempo nem para criar nem para contemplar arte de qualquer tipo que não tenha o único objetivo de engajar no princípio e monetizar no final. Mas tenho uma utopia ludista de que em breve vamos entender que é essencial dar uma segurada e acho que mais uma vez os livros terão o papel central nessa revolução necessária.
O futebol forjou a identidade nacional. Desde que, no fim do século 19, serviu como instrumento de educação e reequilíbrio dos problemas da nossa violenta formação social. A lógica do jogo baseia-se na igualdade de oportunidades, na liberdade de criação, no respeito às diferenças e na assimilação de regras de convivência com o outro. Pelé nos deu o paradigma perfeito dessa ordem. Sua figura nos aponta o futuro que o Brasil ainda pode alcançar: um país generoso e diverso, ao arrepio de um projeto histórico feito para excluir e segregar.
Mas, de um tempo para cá — desde os anos 1990 —, está claro, em todos os sentidos, que o importante é ganhar dinheiro e quem tem brinquedos ganhou o jogo. Essa lógica tem contaminado o futebol, o carnaval e tudo o que havia sobrado de país, e precisamos entrar nessa disputa.
Eu não sou um historiador. Sou um jornalista de província que gosta de tentar entender a história e tenta organizá-la com método e alguma bossa. Mas gosto muito de ler sobre história e historiografia, e me soa muito bem a linha de que se deve olhar para o acontecimento, a conjuntura, o contexto que levou àquilo e a estrutura, as coisas que pouco ou nunca mudam no tempo.
Uma biografia é isso: análise dos acontecimentos, dos contextos e da estrutura onde eles estão ubicados. E, quando o José Álvaro Carneiro veio com a ideia do livro, eu pensei em organizar assim, em pequenas biografias que dessem conta dessas três dimensões, pensando na vida de Pelé, do futebol brasileiro e da história social do país e também sobre cada um dos fotógrafos e de seu lugar no jornalismo brasileiro.
As 10 fotos escolhidas foram tiradas entre 1956 e 1979, mas me surpreendeu como elas continuam conversando com o tempo contemporâneo, e isso é uma característica de Pelé.
Eu imagino que muita coisa nova ainda vai aparecer sobre Pelé. Como disse Andy Warhol, a fama de Pelé não vai durar 15 minutos, mas 15 séculos.
Certamente a foto do Luís Paulo Machado que usamos na capa e no capítulo O Coração do Rei.
Essa foto é impressionante e, antes da pesquisa, eu tinha uma ideia errada sobre ela, e há muita bobagem escrita nas redes, a começar pela grafia do nome do fotógrafo e pelas circunstâncias da foto.
Conversando com o Juca Kfouri e com o Ancelmo Gois, eu cheguei até o Luís Paulo Machado, autor da foto, que me contou sua história de um jeito muito generoso e corajoso. Ele foi preso e torturado naquele mesmo ano de 1976 e depois entrou numa das tantas listas de perseguidos políticos e não conseguiu mais trabalhar no jornalismo nacional. Teve que inventar uma vida e uma carreira novas, e essa história deixa a sua fotografia monumental ainda mais complexa e interessante.
No capítulo em que falamos sobre ela, aproveitamos para falar sobre a complexa relação de Pelé com os governos democráticos e autoritários, e o que eu soube disso também é surpreendente e escapa ao senso comum sobre o tema.
Acho que a primeira coisa é que não havia mulheres fotógrafas no tempo de Pelé e, até hoje, é mais raro do que deveria na cobertura esportiva. E mesmo jornalistas redatoras eram raras. Mas os fotógrafos eram personagens de seu tempo e muito diferentes entre si.
Otto Stupakoff é o símbolo do fotógrafo sofisticado, cool, mais ou menos o personagem do filme Blow-Up, do Antonioni, que muita gente queria ser do final dos anos 1970 para cá. Outros, como José Herrera e Domício Pinheiro, eram operários da indústria do jornalismo, caras que ralaram décadas, aprenderam sozinhos e foram mestres em seus ofícios.
Duas figuras adoráveis surgem — o genial Alberto Ferreira, que foi diretor de fotografia do Jornal do Brasil por muitos anos e revolucionou o fotojornalismo nacional, dando protagonismo e nome aos profissionais que comandou, além de ser um personagem humano fascinante no livro. Por sorte, tivemos seu filho contando a história do pai de maneira amorosa e inteligente.
E eu fiquei apaixonado pelo Walter Firmo, um gênio absoluto, o mestre da cor, o fotógrafo com o mais bonito e duradouro projeto artístico sobre o Brasil negro e uma pessoa especial, daquelas que só se comunicam através de poesia. Firmo é um dos gênios brasileiros que ainda estão andando e criando nesse Brasil e que me fazem acreditar no país e em suas possibilidades.
Perfil
Sandro Moser
É jornalista, escritor e, também, advogado. Atuou durante dez anos na Gazeta do Povo, com passagens pelas editorias de Esportes, Política e Cultura, onde escreveu sobre música, cinema, literatura, comportamento e entretenimento e assinou a coluna Acordes Locais. Sua trajetória profissional também inclui produção e apresentação de programas, reportagem e assessoria de comunicação. Entre a cultura e o futebol, desenvolve projetos de pesquisa e memória sobre temas que atravessam esses dois campos.
Foto: Martinez-Flecha (@mmflecha)
Trechos
O coração do Rei | Foto de Luís Paulo Machado
(pág. 135)
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Outra, que abre este capítulo, é uma daquelas fotos que Boris Kossoy enquadra na categoria de “imagens universais”, escolhida como capa deste livro.
Um registro imortal, um “instante eterno (…) visível, congelado e silencioso, que encobre de sua morada retangular os códigos de sua construção, seus enigmas e sua história.”
A princípio, era para ser só mais uma das muitas imagens do personagem do jogo que chegaram, no dia seguinte, à redação da Re- vista Placar, no 4o andar do prédio da Marginal Tietê, sede da Editora Abril. Lá, o jornalista Juca Kfouri, então chefe de reportagem da revista, abriu o pacote de fotos e começou a examinar uma por uma. “Quando cheguei nessa foto, pensei: isso não existe. Não tem explicação. É uma coisa que só podia acontecer com o Pelé. É um negócio que caiu do céu”, disse.
Seu olhar foi o primeiro a perceber a extraordinária composição: em um lance no meio de campo, Pelé reclama com um companheiro in- dicando algo com o braço direito. Em seu peito, a marca do suor no tecido amarelo forma a imagem perfeita, simétrica e inefável de um coração. Ao menos, do de- senho mais comum usado para representar o órgão, aquele que identifica o naipe de Copas no jogo de baralho.
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Juca pegou o telefone e ligou para o editor da sucursal carioca, que ficava no “prédio da Mesbla”, aquele com o grande relógio perto da Cinelândia, centro do Rio, e pediu para parabenizar o autor, o fotógrafo Luís Paulo Machado, pois ele havia feito uma foto para ganhar “prêmio mundial”.
O autor, porém, não estava presente na sede da Placar para receber os parabéns, pois havia trabalhado como freelancer para a revista e só conheceu o resultado do trabalho quando o viu estampado em página dupla na revista que circulou na segunda-feira seguinte.
“Eu não vi de imediato o coração, vi que tinha feito uma boa foto. Mas a gente nunca sabia, até a revelação, se tinha dado certo”, contou à Placar anos depois.
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Pelé em todas cores | Foto de Walter Firmo
(pág. 167)
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Uma foto “corriqueira”, segundo o autor, como se fosse possível. Para quem o conhece, a imagem traz sua maneira de olhar o mundo
Dramaturgia amorosa de cores explosivas – esta
é a definição perfeita para a foto de Pelé, de costas, com sua segunda pele, pela última vez antes da aposentadoria definitiva. Pelé olha para a relva iluminada como olha para a sua própria obra, e se despede da multidão sem rosto
que sempre o amou.
que ele mesmo resume como “uma dramatização amorosa dentro da visualidade colorida”.
Dramaturgia amorosa de cores explosivas – esta é a definição per- feita para a foto de Pelé, de costas, com sua segunda pele, pela última vez antes da aposentadoria definitiva. Pelé olha para a relva iluminada como olha para a sua própria obra, e se despede da multidão sem rosto que sempre o amou.
A linda foto é só mais um ponto de contato entre o Rei e o “mestre da cor”.
Walter e Pelé são dois meninos negros da mesma geração. Nascidos 50 anos, mais ou menos, depois da assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no país, ambos cresceram num Brasil mais rural do que urbano, em famílias de classe média baixa.
Amavam o futebol, que emergia como paixão nacional, e torciam para o mesmo time: o “expresso da vitória” do Vasco da Gama, um dos primeiros clubes a admitir os jogadores negros no país e que foi a base da seleção brasileira da Copa do Mundo de 1950. Se o Brasil ganhasse aquela Copa, a história do Vasco seria outra.
Pelé e Firmo também se apaixonaram pela música e nela se envolveram de corpo e alma, convivendo de forma diversa com os grandes artistas de seu tempo e, inclusive, assinando composições. Pelé fez mais de 100. Firmo, que também é imparável dançarino, compôs outras tantas.
Por fim, precisaram lidar com as dores do racismo, dentro e fora do Brasil, e com a complexa questão do pertencimento à cultura afro- -brasileira; fizeram isso de formas diferentes, mas ainda assim, em certa medida, tenho certeza, informadas por um sentimento comum.
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Aos 88 anos, Walter Firmo é daquelas pessoas que só se comunicam através da poesia. Talvez por ter nascido no bairro do Irajá, na zona norte do Rio, berço de poetas e sambistas como Nei Lopes e Zeca Pagodinho.
Quando conversou ao telefone comigo pela primeira vez, estava “curtindo adoidado suas férias” com sua companheira Lili, na praia de Parnaíba, no Piauí, onde ela mora. Numa entrevista, ele contou do romance que se iniciou, quando ele, já um fotógrafo consagrado de 70 anos, foi enviado para fazer fotos do litoral piauiense.
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Textos e edição: Adriana Sydor
É jornalista, cientista cultural e escritora. Doutoranda em Ciências da Cultura, atua também como editora, curadora de projetos artísticos e professora de escrita | www.milcompassos.com.br.
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