Assinada por Marcelo Sandmann, a resenha de Geração Zonza: 50+ poemas sobre homens 50 examina o retorno literário de Ricardo Schmitt Carvalho após mais de duas décadas sem publicar, situando sua poesia no cruzamento entre experiência individual e pertencimento geracional. Com olhar crítico e atento às tensões contemporâneas, Sandmann destaca uma escrita que oscila entre o humor e a inquietação, entre a crônica do cotidiano e a reflexão metapoética. O resultado é uma leitura que convida a pensar não apenas o lugar desse autor na poesia brasileira recente, mas também o próprio gesto de escrever diante das urgências e ambiguidades do presente.
(AS)
Foto: Arquivo pessoal
Ricardo Schmitt Carvalho
Curitiba, PR, 1966. Trabalha com palavras, imagens e conceitos de comunicação desde os anos 90 em agências de publicidade e em projetos pessoais. Já escreveu e dirigiu vídeos, programas e interprogramas de TV. Há 23 anos publicou seu primeiro livro de poemas, Lascas, pela editora curitibana Medusa. Este é o segundo.
Ficha Bibliográfica
Geração Zonza: 50+ Poemas Sobre Homens 50+, de Ricardo Schmitt Carvalho, com 100 páginas. Capa e projeto gráfico: Karine Kawamuro – Lumen Design. Ilustrações: Cesar Marchesini e Karine Kawamura. Orelha: Mário Henrique Domingues. Posfácio: Luciana Martins. Curitiba: Ed. do Autor, 2025.
Resenha
Geração zonza: 50+ poemas sobre homens 50+ | Ricardo Schmitt Carvalho
Marcelo Sandmann
Geração zonza: 50+ poemas sobre homens 50+, publicado em 2025, é o segundo livro de poemas de Ricardo Schmitt Carvalho. O primeiro, Lascas, veio a lume pela chancela da Editora Medusa, de Curitiba, em 2002. O intervalo de 23 anos entre um e outro é digno de nota, até porque o autor não publicou nenhum título dentro de outro gênero literário nesse meio tempo. Tampouco terá atuado significativamente como crítico ou tradutor, atividades frequentes de quem se dedica ao ofício da poesia. Trata-se de autor de produção pequena e esporádica, que poderia ter se restringido aos lavores juvenis, como tantos, mas que volta à ativa agora às vésperas de completar 60 anos.
A consciência da passagem do tempo e das inescapáveis marcas de geração está posta já no título do livro. Geração zonza joga, humoristicamente, com termos correntes da sociologia, demografia e marketing, como Geração Z, Millenials, Geração X, Baby Boomers, para lembrar alguns. O próprio poeta, nascido em 1966, se situa ali no limiar entre Baby Boomers e Geração X, com infância e juventude num mundo ainda analógico, de televisão aberta e telefone fixo, e vida adulta marcada pelo universo digital, com computadores, celulares e internet. É uma geração de “trânsito” entre tecnologias, valores e maneiras de se relacionar. Daí a sensação de “vertigem”, “atordoamento”, “confusão” que o termo “zonzo” traz consigo. Trata-se de uma geração que viu o mundo se transformar radicalmente num intervalo de tempo relativamente curto, e que por isso talvez se sinta viver entre dois mundos, um que já não existe de todo e outro ao qual terá custado a se adaptar.
Mas se a expressão “homens 50+” traz a marca do tempo, e situa o próprio autor nesse mesmo tempo em termos geracionais, ela conversa com outra que se consagrou (e suas variantes): LGBTQIA+, o que nos remete ao campo complexo (e polêmico) das “identidades”. O problema da “representatividade” do autor e de sua poesia, e portanto do lugar que ela ocuparia num universo em que o “lugar de fala” se transformou em chave inescapável de leitura e critério de avaliação, se escancara em poemas que lemos ao longo do livro, de seu início ao fim.
Já num dos primeiros segmentos, “olhe ao redor”, encontramos “gastura de uma geração”, cujas estrofes iniciais dizem o seguinte, em tom de piada e provocação: “eu podia estar assediando alguém e achando que é brincadeira / eu podia estar te perguntando se é pavê ou pacumê / eu podia estar fazendo um podcast // mas estou aqui buscando versar / de algum jeito conversar / a respeito de seres tão héteros / à beira do cancelamento / boomers alguns bem cínicos / muitos apenas perplexos // (…)”.
Em “representação”, por sua vez, que se encontra no segmento “epílogo”, podemos ler: “estranho o ato de representar / alguém com o projeto / de representar uma geração // cabra jurado para gerar / um objeto válido / representante literário / de um recorte demográfico / (o que poderia dar errado?) // mas a proposta é essa mesmo / representatividade / hétero cinquenta mais / (de alguma forma) e contrapartidas / e seja o que deus quiser // (…)”. Em meio à cadência prosaica e entrecortada dos versos (marca da poesia de Carvalho), com termos que explicitam a autoconsciência identitária (“hétero cinquenta mais”), o poeta semeia expressões que têm o seu tanto de curioso. A sequência mais óbvia para uma locução cristalizada como “cabra jurado” seria “cabra jurado de morte” (um “cabra marcado pra morrer”, para lembrar o documentário de Eduardo Coutinho), e não algo como “gerar um objeto válido” (um “poema”, um “livro”), que tem seu tanto de pernóstico. E “seja o que Deus quiser”, com seu misto de resignação, confiança e entrega ao destino, é expressão de quem sabe dos riscos (e dos desentendimentos) que corre ao sublinhar uma identidade que se tornou uma espécie de “grau zero identitário” e cuja afirmação (ou reafirmação) pode soar desfaçatez.
“… poesia …lírica, atravessada por humor e ironia, que carreia para o texto muito da relação do ‘eu biográfico’ com outros sujeitos de seu cotidiano…e dos encontros e desencontros…”
Outro poema em que a questão aparece formulada é “Nau identidade”, que vem logo a seguir: “o Bojador / além do qual queremos passar / (sempre muitas imagens épicas) / aqui é bífido: // (….)”. Ressoando famosos versos de Fernando Pessoa (cuja “heteronímia” é, à sua maneira, uma vigorosa problematização da “identidade”, posto que do sujeito poético), o poeta põe agora em causa sua própria possibilidade de “representar”, enquanto sujeito singular, todo um coletivo, apesar da inevitabilidade disso. O paradoxo, a ambivalência (o que ele entende por “bífido”) se explicitaria no seguinte – numa mão: “um / a impossibilidade básica / de se falar por alguém / fora de si mesmo e olhe lá”; na outra: “dois / a inevitabilidade demográfica / de trazer marcas coletivas na voz / independentemente de querer”. É dessa tensão que ele parte para os seus “descobrimentos” (a sua atividade de criação), propondo ainda outro paradoxo, aquele que se estabelece agora entre “seriedade” e “derrisão”, polaridades em que oscila sua poesia: “ansiosos armamos o bote / e zarpamos // repletos de vento / levando a sério o projeto / mas na real mais pelo rolê.”
Os poemas falam muito do próprio autor e de sua experiência no mundo, do mundo e com as pessoas que habitam esse mesmo mundo. Trata-se de uma poesia eminentemente lírica, atravessada por humor e ironia, que carreia para o texto muito da relação do “eu biográfico” com outros sujeitos do seu cotidiano (a mulher, a família, companheiros de geração, escritores/criadores de referência etc.), e dos encontros e desencontros daí advindos. Somam-se ao todo 52 poemas (50+ poemas, portanto), que se distribuem em oito partes numeradas e intituladas, a que se acresce um prólogo, que não recebe numeração. A segmentação do livro propõe núcleos temáticos, que o título aplicado a cada segmento por vezes indica, como em “1. olhe ao redor”, que traz textos em que o poeta medita sobre o momento contemporâneo e o mundo à sua volta; ou “4. corpo”, em que a passagem do tempo e o envelhecimento são a tônica; ou ainda “5. não sei nem se fica bem”, que trata da relação com a mulher, numa explicitação da intimidade, o que confere boa dose de humor ao título. Mas noutros casos, a expressão escolhida causa estranheza, como em “7. rã cinza”, em que a conexão entre o título do segmento e o assunto dos textos não é evidente, eventualmente private joke, talvez trocadilho com “ranzinza”, ou puro nonsense, difícil decidir.
“… a concomitante consciência da precariedade do corpo… situações corriqueiras, capturadas com humor, sem drama, com boa dose de resignação, numa poesia rente à prosa… pequenos lances da vida a dois…”
O balanço geracional, que é um dos temas fortes do livro, como se viu, aparece de modo claro num dos primeiros poemas, “comprei um café e me sentei”. Nele, temos um levantamento de “homens 50+”, eventualmente amigos, ou conhecidos do autor, que surgem elencados uns atrás dos outros, formando uma galeria de tipos e possibilidades de destino: “um se não me engano tinha um porsche e um filho gay / morreu de alguma doença e desgosto // outro pegou covid foi pra uti sobreviveu a custo / mas foi maltratado pela enfermagem // (…) alguns são bem-sucedidos e felizes / e nunca tiveram uma crise de identidade // (…) tem o que manda memes e odeia muito o fato / de que o mito ainda não esteja na cadeia // outro posta em excesso e amarga o destino intolerável / de rever um ex-presidiário no palácio // (…) magros correm puxam ferros fazem pilates / água com gás e limão espremido em copo à parte // gordos sofá cervejinha carne sal e se empanturram / e só empurram com a pança a saúde (…)”.
O envelhecimento, com a concomitante consciência da precariedade do corpo, é outro assunto que vale poemas, quase sempre em chave humorística. Em “falange veterana”, texto que abre o segmento “corpo”, cujo título poderia remeter a algum coletivo de “velhos militantes e/ou combatentes”, o poeta trata de uma outra “falange”, o osso que constitui os dedos, frágil com a idade e passível de contusão e fratura: “à espera do ortopedista / do plano de saúde / o medo do diagnóstico / transpassa o celular / e me pega na mão // (…) // tem como arrumar? / vai ter que operar? / eu posso pagar? // (…)”.
O tríptico “viver para sempre”, que vem logo a seguir, fala da ida ao consultório acompanhando os pais: “no cardiologista dos meus velhos / ela oitenta e três / ele noventa e um / primeira consulta do nonagenário / após seu segundo cateterismo”. O pai, cardíaco, ainda ouve bem, mas já sofre de alguns problemas neurológicos, que o confundem: “a audição do meu pai está boa / a memória é que esboroa / (…) / já sei que ele não lembra mais / porque está aqui / quem será esse cara de branco / que fala tanto e parece / conhecido de algum lugar”. A mãe já pouco escuta e acredita suprir a deficiência com um certo expediente, ele também precário: “minha mãe ouve quase nada / e detesta a ideia de usar aparelho / o que não escuta lê nos lábios / de quem conversa com ela / mas esses dias esteve no oculista / está com uma mancha preta / na parte debaixo da vista.” São situações corriqueiras, capturadas com humor, sem drama, com boa dose de resignação, numa poesia rente à prosa.
Outro tema digno de nota é a relação com a mulher, presente no segmento “não sei se fica bem”. Aqui o poeta procura explicitar pequenos lances da vida a dois, em diferentes registros. Pode ser um momento de amuo e enfado, como o que surge entre casais de longo convívio, como este que aparece em “você robocop meu coração”: “quando eu reclamei que o celular / não estava reconhecendo minha digital // que ainda ontem eu tinha sido / convencido por ele mesmo / a usar como identificador biométrico / para acessá-lo // não era pra você responder / com racionalidades evidentes”. O poeta se queixa então da censura que lhe faz a companheira e do fato de ela ter dado razão ao aparelho eletrônico, apontando suas inabilidades frente a um mundo crescentemente tecnológico (e a obsolescência, não da máquina, mas do homem), e conclui: “e de você eu esperava mais / meu amor”. Mas a relação também pode dar espaço a belas epifanias, como a que se lê em “hoje”: “meu corpo junto ao vosso é um milagre na praça / às vezes acho que posso às vezes fico sem graça / mas já que estamos aqui / vou me deixar existir”. Diante do corpo a que o convívio habituou, há momentos de súbito redescobrimento, em que o amor se reafirma. Os versos finais, ecoando canções de Caetano Veloso e Luiz Melodia, são claros nesse sentido: “hoje não lembro se já te falei que te amo / amor na boca do povo é muitas vezes engano / mas sigo nem ligo e te digo de novo te amo”.
Ainda um último tema, inescapável, é o da própria poesia enquanto objeto de reflexão. O livro, como aparece referido nos agradecimentos iniciais, no corpo de alguns poemas e na contracapa, foi publicado com recursos públicos oriundos de lei de incentivo. O autor, com alguma graça, faz disso assunto já no “Prólogo – em outro plano mental”, sugerindo que os poemas (ou ao menos boa parte deles) teriam sido escritos a posteriori, depois da aprovação do projeto, e como que em função desse mesmo projeto: “começo limpando a mesa / o desktop / o coração / e os ouvidos // começo com uma promessa / que é dívida: / projeto aprovado / e cronograma de ação” (“ano novo”); “100 poemas oh céus / até dia tal // calma / não pense assim // pense / mês que vem é carnaval // vai ser um desfile de versos / requebrando no teclado” (“sem poemas em janeiro)”; depositou my lord / o órgão do governo // (…) // comunicarei à equipe / e podemos começar” (“it’s official”). Tais formulações tiram do ofício literário a aura habitual de necessidade interna e vocação (lembre-se das Cartas a um jovem poeta, de Rilke), e dão a ele um lugar bem mais comezinho, de algo premeditado, feito sob encomenda e devidamente remunerado. Seria de se perguntar se os poemas (e não apenas a publicação do livro) teriam sido dados à existência se o projeto não tivesse sido aprovado. Qualquer visada mais idealizante do ofício do poeta se desfaz aqui, fazendo da poesia um trabalho como outro qualquer, que só se realiza sob alguma demanda bem objetiva.
No corpo do livro, para além do “Prólogo”, o tema do fazer literário aparece ainda em “lembrete” e “código-fonte”. O primeiro, poema breve, trata da coisa prática, do trabalho cotidiano e insistente, à revelia de qualquer inspiração ou motivação mais “profunda” ou “elevada”: “dedo a dedo / tecla a tecla / tarde ou cedo / uma letra ganha a tela e outra / deixa de ser secreta / o movimento vence o medo / e a estrofe brota”. Já o segundo, que traz em seu início a indagação dos motivos de se escrever e da consideração dos riscos de exposição pessoal a que sempre se corre, restitui uma certa áurea de “sacralidade” e “finalidade maior” ao fazer criativo, que as digressões metapoéticas até aqui explicitadas pareciam desarmar: “por que fazer este livro afinal / pra que abrir este flanco // (…) // vibra um calor no peito ouvir / sinais buscar discernimento / tocar a mão na bica ou veio / de onde ainda mina encanto // aqui no fim da linha ou meio / experiência de não ter morrido // (…)”.
“A que linhagem da poesia brasileira recente a produção de RSC se filia? É difícil dar resposta inequívoca … até pelo caráter centrífugo e entrópico da poesia contemporânea.”
Da auto-consciência criativa, com suas contradições, emerge também o universo de referências literárias e artísticas que o autor mobiliza, que são variadas, e que não cabe aqui inventariar pormenorizadamente. As referências mais ou menos explícitas que surgem ao longo do livro remetem a figuras canônicas, como Emily Dickinson e Álvaro de Campos (nas epígrafes); ou (nos poemas) Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, nomes óbvios da poesia em língua portuguesa; ou Shakespeare, Cervantes, Melville, de expressão universal; ou ainda Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho, entre outras sugestões que vêm da música popular (alguns dos poemas surgiram como letra de canção, como se lê nas notas) e da indústria cultural. Nada que extrapole o âmbito de um leitor com uma mínima bagagem e de alguém com os sentidos antenados no que ocorre na mídia ao redor.
A que linhagem da poesia brasileira recente a produção de Ricardo Schmitt Carvalho se filia? É difícil dar resposta inequívoca a tal indagação, até pelo caráter centrífugo e entrópico da poesia contemporânea. Uma definição a partir de parâmetros sociais e de gênero, a que o título do livro e o próprio livro, aliás, convidam, seria restritiva e falaria muito mais do “sujeito que escreve” do que propriamente do “escrito”. Sua linguagem é predominantemente direta e coloquial, com o eventual uso de termos mais eruditos ou raros com fins humorísticos. Recorre sobretudo ao verso livre, com rimas aqui e ali, sem pontuação ou uso de caixa alta no início de segmento sintático, com muitos cortes abruptos e enjambements, numa dinâmica meio caprichosa que oscila entre o trôpego e o cadenciado. Faz uso, portanto, de uma dicção comum a muitos autores contemporâneos.
O poeta não faz questão de se filiar a nenhum grupo de modo explícito, nem parece dialogar claramente com nomes mais recentes da produção poética brasileira ou internacional. Trata-se de autor de trajetória independente, que escreve ao largo das polêmicas que tensionam o campo e que está pouco preocupado com questões como inovação ou originalidade. Geração Zonza vale como um depoimento pessoal e de geração de uma inteligência atenta, madura, que tempera o desencanto e a resignação com humor e ironia, e que procura encontrar, à beira de ingressar na terceira idade, encanto e sentido no regresso à poesia.
Marcelo Sandmann
É professor de literatura no Curso de Letras da Universidade Federal do Paraná. Publicou até o momento 9 livros de poesia, entre os mais recentes Antologia Poética (Kotter/Ateliê, 2017) e Não Cicatriza (Kotter, 2021). Organizou o livro A Pau a Pedra a Fogo a Pique: Dez Estudos Sobre a Obra de Paulo Leminski (Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, 2010). É também autor de canções e músico instrumentista, integrando os grupos musicais ZiriGdansk e Orquestra Sem Fim.
Foto: Luíza Sandmann
Trecho
FALANGE VETERANA
à espera do ortopedista
do plano de saúde
o medo do diagnóstico
transpassa o celular
e me pega na mão
por que raios fui tão rude
e leviano ao apoiar meu peso
nas falanges de supetão
para bisbilhotar por cima
daquele portão?
porque podias, meu anjo
e gracias a la vida
respondem minhas palmas
coladas em oração
elas que já lamberam
longos corrimões públicos
buscaram chaveiro em privada
levaram choque em chuveiro
fizeram dinheiro do nada
serviram de nadadeiras
afagaram e apedrejaram
tiraram lixo e soltaram pipa
seguraram moça
e água de cachoeira
seis décadas quase de uso
me olham fundo e acolhem
o frágil paciente confuso
tem como arrumar?
vai ter que operar?
eu posso pagar?
ouço meu nome
e antes de levantar
parece que ainda vejo
ao lado do anelar bem inchado
acenando pra mim
a gratidão por tudo até hoje
a fé que vai dar tudo certo
um e outro polegar opositor
mais os outros dedos
todos a meu favor








Ilustrações: Cesar Marchesini e Karine Kawamura
Serviço
Geração zonza: 50+ poemas sobre homens 50+ | Ricardo Schmitt Carvalho
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