Percursos Poéticos de Péricles de Holleben Mello

Por Adriana Sydor

O lançamento de Melodia de Uvaranas marcou a estreia literária de Péricles de Holleben Mello e apresentou ao público uma obra que condensa suas experiências de infância, juventude, vida pública e afetos. O livro reorganiza episódios, imagens e deslocamentos que moldaram sua trajetória, costurando vida e cidade em uma mesma linha narrativa. Ao abrir esse arquivo íntimo, Péricles inscreve na poesia um percurso que acompanha transformações pessoais e coletivas.

Lançamento

O lançamento de Melodia de Uvaranas reuniu público, artistas e representantes da cena cultural na noite de 5 de dezembro de 2025, no Auditório dos Operários, no Cine-Teatro Ópera, em Ponta Grossa. A data marcou a estreia literária de Péricles de Holleben Mello, figura histórica da vida pública ponta-grossense, que apresentou um conjunto de poemas escritos ao longo de décadas, reunidos pela Editora UEPG.

O evento integrou literatura, artes visuais e performance poética. As ilustrações de Douglas Mayer, produzidas especialmente para acompanhar o volume, foram exibidas em uma mostra montada no foyer do teatro, ao lado de cartazes criados por Luiz Fernando Esteche. A programação também contou com um recital dirigido por Octavio Camargo, com poemas selecionados em leituras dramatizadas.

Entre os compositores das músicas que acompanharam a performance Melodia de Uvaranas, figuraram Astor Piazzolla com Milonga de Ayer; Carlos Liberdinski com Viento Sur; Beto Guedes na interpretação de Cantar; Chico Buarque com Acalanto e a canção folclórica Prenda Minha, além de Tom Waits e a Cantilena e o Prelúdio nº 5, de Heitor Villa-Lobos. Duas músicas de Octavio Camargo também foram pinçadas para o recital: Marcha de Ponta Grossa e Corrida no Parque.

O time dirigido por Octavio contou com as interpretações de Chiris Gomes, Julia de Hollenben Mello Frederico e Sofia de Hollenben Mello Frederico; Ary Giordani, no acordeon; Odacir Mazzarolo, no oboé e corne inglês; Athon Galera no piano e o próprio Octavio tocou violão. A iluminação foi de Vitor Sabbag.

As fotos são da organização do evento.

Perfil

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Foto: Divulgação

Péricles de Holleben Mello

Péricles de Holleben Mello nasceu em Ponta Grossa e viveu no bairro de Uvaranas a partir dos 15 anos, território que se tornou eixo afetivo, político e simbólico de sua trajetória. Engenheiro civil e mestre em Planejamento Urbano e Regional, atuou como professor do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Ponta Grossa, instituição onde consolidou sua carreira acadêmica e seu vínculo com a cidade. Paralelamente à vida universitária, desempenhou papel ativo na esfera pública: foi vereador, deputado estadual e prefeito de Ponta Grossa entre 2001 e 2004. Atualmente preside o Instituto Cidade Viva.

Resenha

Cartografia em versos

Melodia de Uvaranas reúne a produção lírica de Péricles de Holleben Mello, organizada em um percurso que articula memória, espaço urbano, vida política e trajetória pessoal. O livro se constrói como uma cartografia afetiva em que o bairro de Uvaranas, em Ponta Grossa, funciona como centro gravitacional para onde retornam experiências e deslocamentos. A obra adota estrutura em quatro grandes núcleos (Memória, Porto Alegre, Melodia de Uvaranas e Razões do Meu Amor) além de um Epílogo que condensa reflexões finais sobre tempo e envelhecimento.
A abertura, com o poema Memória, situa o leitor na relação entre lembrança e expressão poética. Em Porto Alegre, um único poema longo dividido em três movimentos combina narratividade, recordações familiares e cenas da juventude, aproximando o passado gaúcho da formação do autor. Fotografias, enchentes, trilhos e trajetórias funcionam como eixos de evocação que reaparecem nas seções posteriores.
A parte central, Melodia de Uvaranas, concentra 35 poemas e constitui o núcleo mais extenso da obra. Reúne episódios da infância, ritos religiosos, cenas escolares, vivências de bairro, mortes familiares, experiências de iniciação e observações sociais. Poemas como Vó Cota, Primeira Comunhão, Pecado Mortal ou Favela apresentam cenas narrativas breves; outros, como Biblioteca, Precária Síntese e Pássaros Bêbados, articulam reflexão existencial e consciência histórica. A presença de viagens, referências musicais, objetos e paisagens urbanas compõe uma rede que estrutura a identidade do eu lírico.
O Epílogo reúne seis poemas sobre envelhecimento, corpo e passagem do tempo, registrando o encontro entre lucidez e fragilidade e elaborando a percepção do limite e da persistência do vivido.
A última grande seção, Razões do Meu Amor, inclui 21 poemas que abordam relações amorosas em diversas tonalidades, do erotismo à ausência e à rememoração. O amor aparece associado a cidades, viagens, rituais cotidianos e figuras concretas; o conjunto forma uma espécie de mapa afetivo que dialoga com passagens anteriores do livro. Poemas como Curitiba Vazia sem Você, Leipzig, 1987 e Poeminha às Marias articulam deslocamento e memória, reforçando a ideia de que o percurso amoroso também produz território.
Ao longo do livro, a linguagem mantém caráter direto, com predominância de versos curtos e imagens precisas. A organização interna combina poemas breves, narrativos, biográficos e textos em prosa poética. A música surge como elemento estruturante (tango, milonga, jazz, chorinho e cantigas) compondo uma relação entre ritmo, espaço e lembrança.
Com 64 poemas no total, Melodia de Uvaranas apresenta um itinerário lírico que acompanha infância, juventude, vida adulta, atuação pública e vínculos afetivos. A cidade, o bairro, as viagens e os laços familiares configuram os objetos imediatos do livro, que se desenvolve como uma meditação sobre pertencimento, tempo e convivência.
As ilustrações de Douglas Mayer, distribuídas ao longo do volume e presentes também na capa, dialogam com o percurso poético ao recriarem cenas, objetos e atmosferas vinculadas às memórias evocadas nos poemas. Ao retomarem elementos do cotidiano, da paisagem urbana e de pessoas, funcionam como extensões visuais da experiência narrada e acompanham a travessia entre espaço, tempo e lembrança que estrutura a obra. Além das ilustrações de Mayer, o livro incorpora outras imagens que ampliam o diálogo entre poesia e memória, acrescentando densidade ao percurso visual da obra e reforçando as múltiplas camadas de representação que a sustentam.

Entrevista com Péricles de Holleben Mello

A poesia no sentido mais amplo me acompanhou desde a infância. Minha mãe tinha uma formação cultural mais elaborada que meu pai, conhecia a literatura romântica e um pouco dos clássicos. Mas ele tinha talento para a música, tocava gaita principalmente mas também um pouco de violão; os dois tinham suas existências marcadas pela música. Eu aprendi a declamar muito cedo e eles me incentivavam e sentiam um certo orgulho disso. O bairro marcava todo o ritmo de nossa existência e a minha avó materna e seus outros três filhos, moraram em vários momentos no mesmo entorno; para minha mãe o ser valia muito mais do que o ter e posso dizer que a matéria poética e esse território íntimo conviveram dentro de mim desde sempre.

Você tem razão: o poema Porto Alegre, o mais longo do livro, e Tango em Uvaranas são bons exemplos dessa articulação. Acho que essas camadas (biográfica, espacial e musical) estão sempre muito relacionadas e formam a identidade mais profunda do povo brasileiro, e de uma forma muito especial para a geração a que pertenço e gerações anteriores que tiveram a possibilidade de viver momentos em suas vidas ainda não completamente dominados pela massificação e processo rasteiro de homogeneização cultural. Poesia pra mim é um ritmo que vem como por encantamento. É isso que tento dizer também em Memória, o primeiro poema do livro.

A forma mais sintética de responder esta pergunta talvez esteja em Octavio Paz: “A memória não é apenas a capacidade automática que temos de nos recordar. A memória é a forma mais alta da imaginação humana. Se a memória se dissolve, o homem se dissolve”. A poesia e a memória se constroem e se reorganizam permanentemente.

A quarta parte de Melodia de Uvaranas é um depoimento que fiz no auditório da Universidade Estadual de Ponta Grossa, sobre o tema A Poesia e o Cotidiano. Acho que nele estão as principais reflexões que pude fazer ao longo de minha vida sobre a poesia, a arte em geral, e suas relações com a política.
Como diz João Cabral: “Não há melhor resposta que a do espetáculo da vida”. O mais importante é descobrir, perceber, sentir e propagar a humanidade comum que lá no fundo habita todos os seres humanos.

Como eu não tenho um número grande de poemas escritos, este processo foi relativamente fácil. Dividi o livro em três blocos de poemas . O primeiro bloco compreende o poema Porto Alegre que relaciona a minha ancestralidade materna de origem gaúcha com o bairro de Uvaranas onde cresci em Ponta Grossa e se apresenta como um eixo definidor de minha identidade. Em Porto Alegre, lugar onde minha mãe viveu na sua adolescência e início da juventude, também nasceu minha filha e foi um momento em que eu tive um maior amadurecimento intelectual. Comecei este poema em 1981, e terminei recentemente durante a estruturação final do livro. No segundo bloco, Melodia de Uvaranas (fragmento), formado por um conjunto ainda incompleto de poemas, eles foram sendo colocados
de forma a marcar as diferentes fases de minha vida o que não está diretamente ligado aos momentos em que foram escritos.
No terceiro bloco, Razões do Meu Amor, coloquei quase a totalidade dos poemas líricos. A ordem nesse caso está mais relacionada com os momentos em que foram escritos mas não totalmente. O primeiro poema – Memória – que abre o livro, foi o último que escrevi. Nele tento revelar a forma como a poesia acontece em mim.

Entrevista com Octavio Camargo

O repertório musical foi, em grande parte, selecionado a partir de sugestões do próprio Péricles. São composições com as quais ele mantém profunda identificação e que dialogam, em termos subjetivos, com os poemas do livro. Essa escolha evoca a experiência de Dona Olga, sua mãe, em Porto Alegre durante a enchente de 1941, assim como a forte presença das tradições gaúchas em Ponta Grossa. A seleção prioriza o tango e a milonga, influências que atravessam a obra de Péricles e que se enraízam nas leituras constantes de Julio Cortázar e Jorge Luis Borges, referências que marcam sua formação literária.

Outras músicas escolhidas, incluindo composições minhas e de Heitor Villa-Lobos, dialogam com parcerias que mantenho com Péricles no campo da canção, entre elas Curitiba vazia sem você, cuja partitura integra o livro Melodia de Uvaranas. O processo dramatúrgico, assim, se estruturou a partir de uma dupla articulação: respeitar a geografia afetiva que atravessa o livro e construir um espaço sonoro que ampliasse a experiência poética.

A relação entre música e poesia, neste recital, é alegórica e atmosférica. A música Viento Sur, por exemplo, na primeira parte do espetáculo, acompanha o poema “Porto Alegre” de forma sussurrada, quase inaudível, emergindo com mais força apenas nos intervalos entre as estrofes, recitadas alternadamente por Péricles e Chiris Gomes, como o som do vento entre as árvores, casas e edifícios de Uvaranas.

A canção Prenda Minha, interpretada por Ary Giordani, evoca as recordações de juventude de Dona Olga no Rio Grande do Sul. A figura do gaúcho é sugerida por um recurso de iluminação: uma sombra projetada na lateral direita do palco.

Em outro momento, os poemas Encontro adiado, Idílio e Para nós dois são acompanhados ao violão por prelúdios de Villa-Lobos e por fragmentos da Suíte Popular Brasileira, que pontuam a ambiência noturna e nostálgica desses textos. A célebre Cantilena das Bachianas nº 5, interpretada no corne inglês por Odacir Mazzarolo, realça, com sua melancolia característica, o drama do poeta Sozinho num quarto em Curitiba.

Já os poemas Ausência, Presença e Imanência contam com composições inéditas de minha autoria. Nesse conjunto surge também Amor e tempo, recitado simultaneamente à execução de Correndo no parque, no acordeom, peça que compus para o filme Nem toda história de amor acaba em morte, de Bruno Costa, protagonizado por Chiris Gomes e Gabriela Grigolon e exibido em Ponta Grossa poucos dias antes do espetáculo.

Foi um belo desafio, sobretudo por apresentar este espetáculo em Ponta Grossa, diante de um público que conhece profundamente o Péricles, sua biografia e sua trajetória e no teatro que ele, como prefeito, incorporou ao patrimônio público. A potência dessa encenação está justamente na coexistência e na simbiose entre poesia e política, dimensões que estruturam a obra e a figura pública do autor.

Sempre me interessei por trabalhos interdisciplinares. Melodia de Uvaranas é um livro marcado pela associação entre poesia e imagem. As ilustrações de Douglas Mayer, criadas especialmente para a publicação e atualmente expostas no saguão do Teatro Cine Ópera, inscrevem os poemas na topografia afetiva de Ponta Grossa: colinas, praças, estações de trem, corpos e memórias que se adensam na paisagem. O teatro acrescenta uma nova camada de sentido: as cadeiras de madeira com encosto em forma de carta de baralho do naipe de paus, que ambientam a performance, evocam as jogatinas nos contos de Borges, as lutas de cuchillo e as sagas de valentia do imaginário rio-grandense.

O cenário é atravessado por projeções de fotografias dos campos que circundam a cidade e da monumentalidade geológica de Vila Velha. Estar em cena como músico, ao mesmo tempo em que conduzo a encenação, me permitiu vivenciar por dentro essa paisagem simbólica no movimento performativo do espetáculo. 

Ficha bibliográfica

Melodia de Uvaranas, de Péricles de Holleben Mello, com 185 páginas. Ponta Grossa: Editora UEPG/PROEX, 2025. Dividido em cinco partes: a primeira (Memória) reúne um poema; a segunda (Porto Alegre), um poema longo estruturado em três movimentos; a terceira (Melodia de Uvaranas) apresenta 35 poemas; a quarta (Epílogo) reúne seis poemas; e a quinta (Razões do meu amor) traz 21 poemas. O volume inclui prefácio de Miguel Sanches Neto, ilustrações de Douglas Mayer, projeto gráfico de Marco A. Martins Wrobel e registros fotográficos de Fabio Ansolin.

Trechos

MEMÓRIA
(Pág. 15)

Sonoras ondas, eco das palavras.
Luz do ritmo preciso e verdadeiro.
Cores da paisagem silenciosa.
Este vento que move o mundo inteiro.

Deixar ao sol o tempo que transborda,
para secar das águas passageiras.
E resgatar dos varais da memória
pura fibra sem pó e sem areia.

À fuga dos adornos que entorpecem
(o vão paraíso artificial),
sóbria alegria ou dor, a tua prece!

Sumo da música, infinito céu!
O fogo tenebroso e infernal!
A flor que ora renasce de um pincel!

Vestígios
(Pág. 43)

A penumbra que engolia os seres
cobertos de medo.
Meus fantasmas e eu
a soletrar palavras
a procurar vestígios
de uma sombra nova
onde eu pudesse
me esconder de mim
e a mim voltar.

Os Livros
(Pág. 76)

Todos esses livros
lidos, relidos
virados pelo avesso
até que a última palavra
desprendida do papel
se aloje no horizonte.

Todos esses livros
desabam sobre mim
e como o tempo acumulado
me fazem retornar,
em outra dimensão,
à primeira dúvida.

Todos esses livros
que não li.
Todos esses livros
que servem mais
para adornar esta sala
ou retratar o desespero.

Ilustrações de Douglas Mayer

Viemos para Ponta Grossa em 1996. Soube então que tinha um colega de Departamento afastado, exercia o mandato de Deputado Estadual. Conheci-o logo no primeiro mês de UEPG, num churrasco de confraternização organizado pelo saudoso Professor Tavares, no Clube Guarani, numa ensolarada tarde de sábado. Você se apresentou como ex-vereador e então Deputado Estadual. Perguntei o partido, você respondeu com orgulho: ─ PT! Depois você ainda se tornou Prefeito, fez muito por Ponta Grossa, resgatou arte e cultura, revitalizou o Teatro Ópera. Nestes meus já quase 30 anos por aqui, vivenciei alguns daqueles momentos que nos fazem vibrar o estro. Mas nunca o que você nos propiciou ontem à noite no Auditório dos Operários do teatro que você revitalizou, mais de 20 anos atrás. Este foi um momento especialíssimo, inesquecível. Pura cultura. Vê-lo serenamente iluminado de luz branca, sua poesia sendo enérgica e graciosamente interpretada, a música harmoniosa e envolvente, os familiares e amigos emocionados lotando o teatro e escadarias, tudo aquilo somado criou um momento antológico. Em retribuição, Ponta Grossa, comovida, enfim reconhecia com ternura tudo que você fez por ela. Um reconhecimento com o pendão da poesia, da música, da arte, da cultura. Assim como eu, creio que todos que estavam ali ganharam um presente raro: o de fazer parte de um momento iluminado pelo belo, que nos recuperou o que a alma humana tem de encanto. Temos muito que agradecer por esse privilégio. O poeta Péricles alia-se ao homem público humanista para oferecer à cidade a esperança da emancipação. Muito obrigado, Poeta. Que a poesia vibre sempre em você, que saibamos senti-la. Um abraço apertado.

 

Mario Sérgio, professor da UEPG

Mais uma vez gostaria de cumprimentá-lo pela bela noite poética que nos proporcionou na última sexta-feira. Nascido às portas de Uvaranas e tendo vivido no mesmo lugar por mais de trinta anos, fiquei profundamente comovido com o lirismo da sua evocação do bairro. Durante a infância praticamente não conheci outro cenário. Toda a família de meu pai estava por perto, desde a pracinha até as plagas do rio Verde. O sobrado onde nasci (que ainda está de pé) era o meu centro do universo. Meus avós moravam do outro lado da praça. Então, o jeito de ser e de viver que você traduz em versos foi de certa forma o meu também: livros desde sempre, livres desde sempre, brincando na rua sem sombra de perigo ou violência, éramos crianças naturais e simples; invernos à beira do fogão a lenha, verões ao vento e à chuva; e, sobretudo, a vitrola ecoando tangos argentinos, a maior paixão musical de minha mãe, e até hoje uma das minhas também. Sua poesia me devolveu tudo isso e muito mais e a emoção foi enorme e sincera. Antes de qualquer coisa, você é um poeta nato. Um orgulho para os Campos Gerais. Parabéns. E foi incrível ouvir, como uma das últimas notas da Melodia, o seu poema Vida, que admiro e recordo desde que o li pela primeira vez, décadas atrás. Grande abraço.

Sergio Monteiro Zane, presidente da Academia de Letras de Ponta Grossa

SERVIÇO

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