Versos precisamente calculados: Ivan Justen Santana lança seus Terceiros Episódios

Por Adriana Sydor

A editora Anticítera e o escritor Ivan Justen Santana disseram-se sim e foram felizes para sempre. Casaram-se bem antes, mas a festa foi marcada para o dia 22 de março, aniversário do Ivan, na Livraria Joaquim, convidaram uma penca de amigos, amigas e amigues e dividiram um dos frutos que brotou da união.

Em Terceiros Episódios, Ivan construiu um livro diverso, de temática variada, marcado pela experimentação da forma e pelo lirismo ácido e reflexivo. Sua terceira incursão poética solo, e às vezes acompanhado, grifa a maturidade estilística.

Nesta reportagem você vai encontrar um breve perfil de Ivan com alguns apontamentos de sua trajetória. Ele também respondeu a algumas perguntas, feitas por e-mail, que complementam a percepção que podemos ter dele e de sua obra. Claudecir Rocha, o editor do livro, conversou um pouquinho sobre a relevância desse trabalho no cenário atual.  Ricardo Pozzo, escritor e produtor bastante experiente com a cena literária da cidade, escreveu uma resenha a respeito de Ivan e seu livro. 

A Livraria Joaquim, que o Ivan referencia como um importante local em sua trajetória, tanto de leitor quanto de escritor foi o primeiro lugar da cidade a disponibilizar Terceiros Episódios.

Lançamento

Quem é que pode reunir família, amigos, livros, discos, bolo, lágrimas contidas, velas, música, poesia, docinhos, sorrisos num único lugar? O Ivan pode!
Foi entre muitos parabéns e Bob Dylan na vitrola que Ivan assinou, prata no preto, seu Terceiros Episódios, numa matiné transbordante de gente da melhor qualidade.

Perfil

Quase caí na esparrela de cometer o trocadilho previsível para explicar minha dificuldade de traduzir o tradutor. Ivan é um homem das letras, as suas e as alheias. Com isso, embalada pelo título, Terceiros Episódios, resolvi dividir este texto e apresentá-lo em três partes – apenas uma tentativa de organização porque o Ivan não é uma ou outra vertente; ele é a composição rica e abundante que atua aqui, ali e acolá fazendo a harmonia e a interconexão dos seus saberes.

1˚ Episódio | Doutor

O Ivan estudou Letras na Universidade Federal do Paraná, se formou em 1996, quando o mundo atual ainda dava os primeiros suspiros. Ele conheceu os caminhos das pesquisas sem as facilidades digitais. Mergulhou em bibliotecas, submergiu em livros, aprendeu teorias e tudo o que já sabia das letras, que trouxe de casa, da família, ganhou forma e visão diferentes.
O mestrado foi feito na USP. Estudou signos, comparou teorias e produziu a referência Paulo Leminski: intersemiose e carnavalização na tradução.
Demorou um tempo e muitos feitos para voltar à academia, quando, pela UFPR inaugural, virou doutor com a provocante e necessária por diversos motivos Emiliano Perneta: vida e obra de província?.
A palavra doctor já circulava durante o latim medieval. Doctor veio de docere, verbo que significa algo como ensinar ou instruir. O doctor latino era um mestre, um preceptor, uma pessoa que, sobretudo, ensinava outras. Ivan é um doutor, pelo título e vida acadêmica, é um doctor por tudo que traz à tona quando aparece. Sei disso desde há muito. Uma vez publiquei uma poesia desengonçada e torta, Ivan, com mil delicadezas, fez um comentário, algumas sugestões e me ensinou um caminhão de coisas que sempre recordo.
Com formação, experiência e jeito, Ivan é também professor.

2˚ Episódio | Tradutor

Trabalhar com tradução é uma dança bastante perigosa. E sedutora. Descobrir as medidas exatas entre avanços e recuos; saber qual é a hora da mão invisível e qual o momento de interferir; entender significados ocultos, silenciar, falar, deixar de lado, seguir em frente… Ivan tem essas e outras sensibilidades para tratar dos textos estrangeiros. Ele traduz e comenta traduções; traduz a tradução; traduz palavras e sentidos; traduz sentimentos e intenções; traduz por esporte e profissionalmente.
Bob Dylan, James Joyce, Edgar Lee Masters, Peter Doggett, Will Ellsworth-Jones são alguns nomes que podemos ler no nosso bom e velho português-brasileiro por causa de Ivan. Se fosse para citar os assuntos em vez de alguns autores, a lista seria imensa. Dá para saber muito sobre Beatles e Banksy, por exemplo, por causa do Ivan. Também por causa do Ivan (e do Charles Perrone) está no mundo a complete collection of the poetry of Paulo Leminski.
Talvez seja possível afirmar que o ofício de tradutor cola-se no Ivan mais pelo exercício de descoberta de intenções do que de significado de palavras. Ou, dizendo de outra forma, Ivan é tradutor porque sabe encontrar essências e fundamentos e não os confunde com a brutalidade dos dicionários.

3˚ Episódio | Escritor

Uma lista bastante extensa a de projetos, artigos, livros, capítulos e outras produções que levam a assinatura do Ivan. Mas aqui, por motivo de limitação de espaço, interessa citar seus 64 Peças e Buquês de Limeriques, que antecedem o Terceiros Episódios.
64 Peças foi lançado em 2015, pela Dezoito zero um. Foi o primeiro solo de Ivan. Fez o debut em grande estilo, mas não foi surpreendente porque, de alguma forma, por meios variados, as pessoas já conheciam ou adivinhavam o Ivan poeta – incluindo aquelas que só o sabiam doutor ou tradutor. No momento da publicação, ele já contava com três décadas de poesia e seus textos rodavam pela cidade em saraus marginais, em jornais, em trocas epistolares, em revistas literárias, em blogs. Ivan estava no ar, estava na rede, mas era um peixe escorregadio, com o livro, se tornou palpável, agarrável.
Algumas pessoas, admiradas, citam a capacidade de Ivan, suas métricas, rimas, formas, construções. É um contraste, dizem, diziam, com quem tem muita intimidade com o outro lado da margem, aquela coisa meio underground, meio punk, meio alheia aos princípios oficiais da cidade. Mas Ivan é (peço desculpas por usar uma palavra como se ela afrontasse outros saberes, coisa que não acredito) um erudito. Ele conhece teorias, tem quilômetros e quilômetros de intimidade com o texto. Nada poderia ser mais natural do que a qualidade de seus versos. E, irônico, ele aponta para os exegetas “Que nojo dessa métrica perfeita! | O gosto dessa péssima poesia […] Minha setra etcetera este soneto: | exijo que exegetas contem certo | e se entenderem passem a ler de quatro.”.
Em 64 Peças há, ainda, e não só, um aspecto bastante peculiar, destacado por seu editor, Alexandre França, “junto à temática do xadrez, ele propõe uma espécie de dianoia narrativa quebrada com o movimento de cada peça-poema, em contraste com a articulação do próximo poema-jogada. Está um passo à frente e um atrás do leitor – o poeta define o movimento na casa, mas só o destinatário pode efetuar o xeque-mate”. Ivan conversa e seduz seus leitores num jogo em que perder é ganhar e o inverso também vale.
Depois, em 2018, veio o Buquês de Limeriques, editado pela Kotter. De cinco em cinco versos rimados (na maioria em AABBA), Ivan preencheu um livro inteirinho. Num exercício inesgotável para manter a forma, espalhou temáticas, humor, sentimentos e alguns desconcertos. À primeira vista, parece um livro de gracinhas bem calculadas, mas no início o poeta ensina: “Havia uma gota no oceano | Que enxergava em tudo um plano: | Aquela gota sabia | Que sem ela não seria | O mesmo aquele vasto oceano”. É mais um ponto que compõe esse homem múltiplo.
Os limeriques ganham potência na medida em que o leitor se descola de uma busca, seja ela qual for. Caminhar com distração pelos versos humorados do Ivan proporciona, em determinado momento, encontrar a surpresa e as condições para o mergulho, um mergulho para dentro das próprias experiências.

As respostas de Ivan

Ivan Justen Santana é um escritor que desperta perguntas. Ler seus poemas causa um tipo de introspecção bastante particular, cada um viaja à sua maneira pelos versos e temas. Resposta definitiva não é um objetivo, ainda assim, Ivan atendeu a algumas questões da Querela.

Qual é o maior desafio na construção de um poema: encontrar a primeira palavra ou decidir a última?

O maior desafio é a própria construção em si. A última palavra de um poema meu nem sempre – ou quase nunca – foi a última que decidi colocar, ou a primeira que encontrei. Por vezes, a primeira foi a última, ou a última foi a primeira.

O silêncio e o intervalo entre os versos são parte da poesia. Como você decide o que não escrever?

Desculpe interpretar literalmente a pergunta, mas me provocou uma reflexão talvez óbvia: se eu decido escrever algo, já implica eliminar o que não vou escrever. É certo que a produção e a revisão do texto envolvem cortes e substituições, mas também faço acréscimos, inversões etc. Na prática: vou escrevendo um poema, e o mais frequente é que eu risque (ou delete) o que não me agradou numa releitura, substituindo ou descartando o trecho definitivamente.  Processo que se repete ao longo da escrita e mesmo depois de o texto já estar esboçado. Sou “o maníaco da revisão”.

Há palavras que você considera intraduzíveis dentro da sua própria poesia? Alguma palavra que só funciona dentro do seu universo poético?

Eu sou também um tradutor de poesia. Portanto, minha resposta é não, e não. Mesmo se eu criasse um neologismo e pretendesse que ele fosse só meu e só funcionasse dentro do “meu universo poético”… Nem consigo concluir o absurdo da suposição. Se eu tenho algum universo poético, ele na verdade não é meu, nem tampouco se restringe aos textos que escrevi, e que seriam partículas infinitesimais desse universo.

Acredita que a poesia precisa expandir os limites da linguagem ou que seu poder está justamente em redescobrir o que já existe?

Sim e sim. Mais que precisar fazer algo, a poesia pode: expandir, redescobrir, criar e recriar.

Se sua obra fosse traduzida para um idioma que ainda não existe, que sentimentos ou sensações gostaria que fossem preservados acima das palavras?

Só a hipótese de ser traduzido para um idioma que ainda não existe já me encanta suficientemente. Quanto aos sentimentos e sensações a preservar, eles já estão bem além do meu controle, mesmo no texto “original”.

Cada poeta fala por si mesmo e nos seus próprios termos. Mas a busca de genealogias e de linhas de filiação e influência é válida, e faz parte da tradição. Seria válido vincular a sua poesia, Ivan, à de Marcos Prado?

Sem dúvida. O convívio pessoal e poético que tive com o Marcos Prado foi extremamente marcante. Está implícito – e às vezes explícito – nos meus trabalhos.

Qual o lugar da poesia de Paulo Leminski no cenário das letras curitibanas? Você diria que é uma presença na medida justa? Qual a contribuição maior de Leminski para a nova poesia das Araucárias? Seria mais técnica ou mais de atitude poética?

A posição do Leminski é central neste cenário. Sua obra, que não se restringe à poesia, já conquistou lugar no âmbito nacional e internacionalmente. Nesse sentido, eu diria que é uma presença incontornável, em medida justa ou injusta, a depender das avaliações críticas as mais diversas – e controversas. A meu ver, sua contribuição maior, para a poesia que vem sendo feita depois, é pedagógica. Pedagogo é quem conduz alguém ao conhecimento. Tanto a poesia do Leminski, quanto, e mais especialmente, sua obra crítica (as biografias, as traduções – sempre acompanhadas de posfácios, os “Anseios Crípticos”, o menos conhecido mas espetacular livro “Metaformose”, por exemplo) levam as pessoas a conhecerem melhor o que é poesia, e a produzi-la.

Dá pra dizer que existe uma tradição poética paranaense, no sentido de os novos continuarem ou contrariarem os anteriores ou os antigos? Quais os pontos mais altos da tradição poética paranaense?

Sim, dá pra dizer que existe essa tradição, exatamente por isso. Sumariamente, os pontos mais altos são: Júlia da Costa, Emiliano Perneta, Dario Veloso, Helena Kolody e Paulo Leminski. Mas vale sublinhar que a tradição existe e se configura porque além destes há muitos outros poetas, com obras de alta qualidade e relevo.

O trabalho de reedição dos nomes importantes da poesia do Paraná pela Anticitera tem as tuas digitais. Teremos novas surpresas em termos de redescobertas?

Sim. Mas como não gosto de estragar surpresas futuras, menciono uma recente: “Necrotério d’Alma & outros poemas”, de Cícero França. Surpreendeu até a mim, que pesquiso e valorizo a poesia paranaense já faz pelo menos 15 anos, quando comecei o meu doutorado na UFPR, estudando o Emiliano Perneta.

Assim, é preciso destacar o trabalho do Claudecir Rocha, proprietário e editor da Anticítera. Ele também se doutorou pela UFPR, pesquisando a vasta obra do Rodrigo Jr. Publicações deste e de outros poetas estão previstas para breve.

A importância de "64 peças", um livro publicado em 2015, vem sendo mais e mais reconhecida, como performance poética também no plano das formas e da linguagem. Seu terceiro livro, que está sendo lançado nesse instante, e que você reconhece como trabalho de maturidade, pode ser considerado como uma continuação das mesmas inquietações e experiências de "64" ou há rupturas com o trabalho anterior?

É uma continuação. O título e o próprio projeto gráfico do livro apontam isso. Mas se alguém já escreveu que “as coisas precisam mudar pra continuarem as mesmas”, digo então que eu precisei continuar o mesmo poeta pra mudar minha produção. Pelo menos um pouco.

EDITOR

Claudecir Rocha

Minha amizade com Ivan Justen Santana é relativamente recente. Embora Curitiba seja uma cidade grande, muitas vezes parece uma “vila” onde todos os que trabalham com arte se conhecem. No entanto, nunca havíamos conversado. Foi apenas em 2020 que trocamos algumas figurinhas literárias sobre uma possível parceria para publicar alguns nomes da literatura paranaense.
Em 2021, acabei substituindo-o no projeto cultural Raízes da Poesia Paranaense, idealizado por ele e Ana Paula Taques. Já em 2023, realizei outro projeto cultural, que publicou a obra completa de Emiliano Perneta. No último momento, incluí Ivan no projeto, pois sua tese de doutorado na UFPR abordava o poeta, além de ele ter ministrado um curso sobre o vate paranaense dentro da iniciativa.
Reconhecendo sua habilidade com a poesia, organizei mais duas obras fundamentais da literatura paranaense: a publicação da poesia completa de Dario Veloso [ou Vellozo, para os puristas da língua] e de Silveira Neto, ambas com a precisa revisão de Ivan Justen. Atualmente, também estou conduzindo outros dois projetos que contarão com sua revisão: a poesia completa de Tasso da Silveira e de Rodrigo Júnior, ambos aprovados pela Fundação Cultural de Curitiba.

Todos os livros publicados pela minha editora, Anticítera, que vem desde 2015 com o propósito de resgatar poetas, conhecidos e desconhecidos, da literatura nacional e mundial. O catálogo abrange nomes que vão de Byron, Charles Baudelaire, Goethe e Heine a Sousândrade, B. Lopes, Gonçalves Dias, Moacyr de Almeida e diversos poetas paranaenses. O objetivo é tornar essas obras acessíveis a todos, evidenciando sua importância dentro de suas especificidades.

Quanto ao livro autoral de Ivan Justen Santana, Terceiros Episódios, que acabamos de publicar, ele nasceu dessa parceria e de interesses em comum. É uma honra publicar alguém como ele, cuja trajetória na literatura paranaense é marcante, seja como poeta, tradutor, pesquisador ou professor. Sabemos que publicar um livro em Curitiba é sempre um ato de resistência, pois, mesmo em uma cidade com mais de 1,8 milhão de habitantes, ainda é um desafio convencer o curitibano da importância da cultura local.

Resenha

Dados: “Terceiros Episódios”, poemas de Ivan Justen Santana. Com 88 páginas e as seguintes seções: Peças soltas, Encaixes em Lego, Os oito limeriques do xadrez, Doze quadras ao desgosto popular, Conversa com meu falecido irmão e Três parcerias redobradas. Projeto gráfico: Estúdio Schwarzbrun. Orelha de Antônio Thadeu Wojciechowsky. Editor Claudecir de Oliveira Rocha. Curitiba: Anticitera, 2025.
A matemática do verbo

Ivan Justen Santana desafia as palavras como quem joga xadrez

Por Ricardo Pozzo

Foi na Livraria Joaquim, situada na rua Alfredo Bufren, 51, que ocorreu o lançamento do mais recente livro de poemas do poeta e doutor em Estudos Literários Ivan Justen. Terceiros Episódios. Como o título sugere, é a terceira obra publicada pelo poeta que estreou com o livro 64 Peças, publicado pela Dezoito Zero Um em 2015, uma coletânea de mais de duas décadas de suas produções poéticas, onde podemos perceber como evolui tanto o poeta quanto o tradutor, quanto o pensador universal da poesia quando jovem, desde o boom dos blogs em 2004. Muito dessa produção e além, ainda pode ser acessada através de seu blog Um Sim em Si www.ossurtado.blogspot.com.br.

Em 2018, Ivan lança pela editora Kotter seu segundo livro chamado Buquês de Limeriques. Segundo a Wikipedia, Limerique é um poema monostrófico de cinco versos, com ritmo anapéstico ou anfíbraco mas, segundo o instagram da editora PandaBooks são poemas curtinhos que falam de coisas sem pé nem cabeça. Buquês de Limeriques está no catálogo e pode ser encontrado no site da editora.

Agora, com o mais recente Terceiros Episódios, publicado pela Editora Antícetera, Ivan Justen mantêm-se fiel à risca naquilo que ele mesmo decifra como a matemática do verbo. E como tal, Ivan mostra o exímio enxadrista que é. E qual é o seu adversário? O adversário de todo poeta seria a folha em branco, intacta. É preciso ferir a alvura com a tinta como peão das palavras que surgem matematicamente imbatíveis onde o sentido é transferido para um segundo plano. Neste novo trabalho, o próprio autor reconhece, está mais maduro. A técnica ganha mais brilho, e sentido. A matemática é o lastro da lógica, um alicerce da realidade e sua forma sonora é a música inspirada pelas Musas. E inspirado pelo punk e pelo pós-punk dos 80, um Ivan ainda imberbe, traduzia letras de bandas inglesas e californianas, além dos poetas da época vitoriana ao lado de poetas como Marcos Prado, Thadeu Wojciechowski, Edilson del Grossi, Edson de Vulcanis, Sergio VIralobos, Chico Cardoso. Foi com essa turma que aprendeu a criar poemas coletivamente.

Recusou-se a seguir uma tradição familiar e, ao invés do Direito, foi cursar Letras. Licenciado pela UFPR em Letras Inglês no ano de 1996, tornou-se Mestre pela USP em 2002 e Doutor em Estudos Literários pela UFPR em 2015 com o tema Emiliano Perneta, consagrado Príncipe dos Poetas por Dario Vellozo no Passeio Público em 1911. Como profundo pesquisador dum genuíno legado poético paranaense, vem se destacando no levantamento e na organização junto ao Claudecir de Oliveira Rocha, editor da Antícetera, das obras completas dessa geração simbolista.

Terceiros Episódios é um livro generoso com seus poemas, sonetos, limeriques (cujo tema é o jogo de xadrez), quadras e onde faz referências e cria diálogos com Gregório de Mattos, Drummond, Junqueira Freire, Rimbaud, William Blake, James Joyce, Lou Reed, Bob Dylan.

Ivan também cria universos musicais com suas aliterações, como no exemplo da segunda estrofe do poema Fênix, na página 37

dentro

de cada

um de nós

tem uma fênix

dentro dela

fogo cromo ródio

lilases rododendros

dentes asas membros

de amor e de ódio

sobre tons de

ônix […]

O livro se sustenta em suas próprías páginas, mas é preciso dizer, quase como uma nota de rodapé, que Terceiros Episódios é também o registro de um intenso processo interior, o atravessamento duma noite muito escura, um San Juan de la Cruz que transbordou-se a si mesmo em noites febris no assombro da existência quando ela se apresenta em carne e osso, um exsudato neutrofílico tornado em palavras, dentro de exatas medidas matemáticas

Foto: @aliyahcissa

Ricardo Pozzo é escritor, artista de palco e bastidor, responsável pelo Porão Loquax, que acontece no Wonka Bar às terças-feiras, promovendo escritores, poesia e outros textos.

Livraria Joaquim

No centro histórico de Curitiba, entre o asfalto e histórias vivas, a Joaquim Livros & Discos é um refúgio para amantes da literatura e da música. Com prateleiras que guardam desde edições com alguns anos até lançamentos vibrantes, além de vinis que ecoam memórias e descobertas, o espaço pulsa cultura. A Joaquim é um ponto de encontro para leitores, colecionadores e curiosos (e também um belo salão de festas, como ficou provado pelo Ivan).

Joaquim Livros & Discos
Rua Alfredo Bufren, 51
(41) 3078-5990

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