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	<title>Arquivo de Banco de resenhas - Querela</title>
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		<title>O Lobo da Lua por Laura B. Moosburger.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin-querela]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Mar 2024 14:41:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Banco de resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[BdR Resenhas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p><b>O Lobo da Lua por Laura B. Moosburger</b><br />
Certos livros infantis nos comovem por sua singeleza absoluta, por presentificarem o infantil em seu estado puro: o simples rosto de uma criança sorrindo sobre fundo branco...</p>
<p>O post <a href="https://querela.com.br/laura-b-moosburger-sobre-o-lobo-da-lua/">O Lobo da Lua por Laura B. Moosburger.</a> apareceu primeiro em <a href="https://querela.com.br">Querela</a>.</p>
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A ilustração acompanha em perfeita sintonia o poema de Rodrigo Gonçalves: um poema suave e ao mesmo tempo enfático na pronúncia poética das palavras que diz e repete – lobo, lua, uivo, mata, cachorro –, e cuja simplicidade não é mais aquela das frases de aprendizado em livros infantis (que guardam sua poesia própria), mas tem a força mágica do encantamento no sentido do mistério. É um livro que aprofunda o olhar da criança para o mistério do mundo, da noite, do uivo que atravessa o escuro, que vem da floresta e se faz ouvir na cidade, para o trânsito entre as esferas, para o que liga o lobo ao cachorro, a mata à cidade, o silêncio ao uivo e ao vento, para o fluxo profundo e obscuro das coisas, o percurso desconhecido do vento, que apenas pressentimos e nos liga à floresta ancestral, atravessando a noite. E o olhar magnético do lobo da lua paira sobre tudo isso, imagem sugestivamente humana, como um Deus lunar tornado visível para as crianças que saberão apreciá-lo em seu mistério e distância, reafirmando que se trata de um encantamento, do despertar de um sentido para o mistério – o mistério místico e o mistério mítico, inseparáveis.</p><p>Ao suscitar o sentido do mistério, o livro sugere o aprendizado da solidão, da distância entre as coisas, ao mesmo tempo que o susto apaziguante de sua proximidade – entre cão e lobo, uivo e vento, mata e cidade&#8230; A criança atenta perceberá sua própria solidão poeticamente no vento do poema e da ilustração, com a doçura de uma canção de ninar – “uma poesia de encantamento”, como foi inicialmente pensado o poema, de acordo com seu autor.</p><p>A sobriedade de cores, linhas e palavras, da figuração da cidade e do bosque, do lobo e do cão, da lua mítica, atinge a criança simultaneamente pelo infantil e pelo convite ao mistério que a leva além. É, afinal, um livro colorido e desenhado para crianças que contém um poema escrito para crianças; sem, contudo – se é que podemos nos expressar assim – “infantilizá-la”: pois assim como o desenho, em sua sobriedade e nos detalhes que vai formando com as linhas, também o poema, que repete palavras ao modo infantil acrescentando outras tantas em uma complexificação musical crescente, sugere uma saída de um estado de simplicidade rumo a algo mais profundo e complexo. Este é talvez o golpe de mestre que faz deste livro uma obra perfeitamente acabada em seu gênero. Que o poema tenha sido concebido como uma canção de ninar para crianças insones talvez revele uma intenção da obra em promover essa passagem gentil: ela ameniza o susto do despertar com um susto poético. Um poema de Eichendorff diz que “Nas coisas todas dorme uma canção,/ Que nelas sonham e sonhando vão,/ E o mundo inteiro põe-se a cantar,/ Se a palavra mágica você encontrar”. “O lobo da lua” ergue essa ponte, essa passagem de encantamento, dando à criança um meio a mais para que ela mesma descubra a canção profunda que mora nas coisas.</p>						</div>
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		<title>Amores mais que perfeitos por Bernardo Bastos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin-querela]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Mar 2024 12:38:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Banco de resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[BdR Resenhas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Amores mais que perfeitos: os altos e baixos do primeiro romance de Carlos Augusto da Costa</p>
<p>O post <a href="https://querela.com.br/bernardo-bastos-sobre-amores-mais-que-perfeitos/">Amores mais que perfeitos por Bernardo Bastos</a> apareceu primeiro em <a href="https://querela.com.br">Querela</a>.</p>
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			<h2 class="elementor-heading-title elementor-size-default">Amores mais que perfeitos:<br>
Os altos e baixos do primeiro romance de Carlos Augusto da Costa</h2>		</div>
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							<p><em><strong>Bernardo Leopardi Gonçalves Barretto Bastos</strong></em> é procurador do município de Rio Largo, Alagoas. Advogado, engenheiro civil, mestre em engenharia pela PUC-Rio. Ex-procurador do município de São Paulo. Diretor de comunicação da Associação Nacional dos Procuradores Municipais (ANPM).</p>						</div>
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		<title>José Adil Blanco de Lima sobre: Um exercício de memória sobre Dona Dora e seu Adil</title>
		<link>https://querela.com.br/jose-adil-blanco-de-lima-sobre-um-exercicio-de-memoria-sobre-dona-dora-e-seu-adil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[admin-querela]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Nov 2023 17:36:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Banco de resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[BdR Resenhas]]></category>
		<category><![CDATA[Um exercício de memória sobre Dona Dora e seu Adil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O historiador José Adil de Lima faz em linhas objetivas e esclarecedoras um percurso emocionante: - resenha a nosso pedido o livro de seu pai, uma biografia de seu avô. </p>
<p>O post <a href="https://querela.com.br/jose-adil-blanco-de-lima-sobre-um-exercicio-de-memoria-sobre-dona-dora-e-seu-adil/">José Adil Blanco de Lima sobre: Um exercício de memória sobre Dona Dora e seu Adil</a> apareceu primeiro em <a href="https://querela.com.br">Querela</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[		<div data-elementor-type="wp-post" data-elementor-id="3513" class="elementor elementor-3513">
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			<h2 class="elementor-heading-title elementor-size-default">Ancestralidade negra, militância política e resistência à ditadura militar do Sul do Brasil </h2>		</div>
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							<p>Paulo Rolando nos apresenta um livro de memórias pouco convencional. Não se trata de uma memória individual, onde o narrador discorre a respeito de sua própria trajetória. Aqui temos uma espécie de memória coletiva, associada ao grupo familiar.</p><p>Nessas memórias, desvelamos a história de uma família negra e humilde do Sul do Brasil, oriunda principalmente do interior de Santa Catarina, que, apesar de todas as dificuldades impostas pelo racismo e pelo autoritarismo, conseguiu ascender socialmente no decorrer das gerações.</p><p>Inicialmente o autor havia planejado o livro como uma biografia de seu pai, José Adil de Lima, que foi uma figura ao mesmo tempo comum e extraordinária. Comum porque foi um trabalhador braçal negro, de origem humilde, que trabalhou a vida toda como operário, na área da construção civil. E extraordinário porque se aproximou do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e se engajou numa série de militâncias e lutas políticas e sociais entre as décadas de 1940 e 1960.</p><p>José Adil aproximou-se do PCB em 1945, quando o partido retornou à legalidade com o fim da ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas e início da redemocratização do Brasil. Nesses anos iniciais da Guerra Fria, o repúdio aos norte- americanos que lançaram bombas atômicas contra populações civis no Japão (um tipo de covardia que até hoje não foi igualado por nenhum ditador ou terrorista), foi determinante para a sua politização e a sua militância política.</p><p>Graças à proximidade com o PCB, o jovem trabalhador negro José Adil de Lima teve a oportunidade de desenvolver o seu lado intelectual, leu vários livros, jornais e revistas, participou de discussões teóricas sobre os rumos políticas e econômicos do Brasil e do mundo. Junto ao partido ele teve inclusive a oportunidade de fazer uma viagem de visita à URSS em 1963.</p><p>No entanto, como relata o próprio autor, na medida em que o livro ia sendo escrito, ele acabou transcendendo o objetivo inicial. Acabou se transformando em uma verdadeira busca pela ancestralidade de uma família de negros no Sul do Brasil.</p><p>Paulo Rolando nos fala de seus ancestrais a partir de sua própria memória e, principalmente, pela tradição oral, que lhe foi transmitida por avós, tios e outros conhecidos, que lhe permite refletir sobre o passado mais recente de sua família.</p><p>Nesse sentido, é importante destacar a centralidade que Paulo Rolando dá às mulheres de sua família, mulheres negras fortes e batalhadoras, que enfrentaram inúmeras dificuldades durante suas vidas.</p><p>As trajetórias dessas mulheres, principalmente das Vó Estela e Vó Justa, ambas nascidas na década de 1890, são exemplos significativos das condições difíceis em que viviam as mulheres negras e humildes do Sul do País, no contexto do pós-Abolição. São mulheres que tiveram muito pouca ou nenhuma escolaridade, que trabalharam a vida inteira como domésticas ou lavadeiras na casa de famílias brancas de classe média, e que tiveram que criar seus filhos sozinhas, por terem se tornado viúvas muito cedo ou por terem sido abandonadas pelos seus companheiros. </p><p>Dentre as diversas histórias que são contadas por Paulo Rolando, a mais golpe de 1964 e a instauração da ditadura militar, prisão essa que ocorreu em casa, mais marcantes do livro; a descrição do autor merece ser transcrita:</p>						</div>
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							<p><em>“Enquanto o Comissário entrava, nós demos a volta e entramos pela porta dos fundos. Mamãe já choramingando com o Junior no colo, a Lúcia ao seu lado, assustada e perplexa como nós todos, ouvimos o Comissário relatar que uma vizinha havia visto luz acesa de madrugada e deduziu que o Lima havia voltado para casa e comunicou à Polícia. Como havia uma ordem de prisão contra os comunistas, tinha vindo cumpri-la (&#8230;). Já do lado de fora da casa, notei que uma pequena multidão se formara na rua e todos puderam ver o Lima caminhando calmamente, com a cabeça erguida, sério, mas sem expressar medo ou constrangimento, entrar na viatura junto com os soldados armados (&#8230;). Os dias seguintes à prisão do Papai foram muito desagradáveis. (&#8230;) As pessoas mais ignorantes e menos civilizadas nos hostilizaram, sempre no limite das respectivas covardia e crueldade, ora cochichando delírios sobre as barbaridades perpetradas pelos comunistas se não fossem presos, ora desejando que a fome e outras desgraças nos consumissem rapidamente.” (LIMA, 2023, p. 84-85).</em></p>						</div>
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							<p>Essa parte da narrativa, que discorre sobre a militância política de Seu Adil e a perseguição durante a ditadura militar, talvez seja a parte mais importante e bem fundamentada do livro. Paulo Rolando complementou suas memórias individuais com um largo conhecimento de história do Brasil, especialmente durante esse período tão autoritário e sombrio.</p><p>Nesse sentido, deve-se destacar a interlocução do autor com o historiador José Bento Rosa da Silva, que assina o prefácio do livro. José Bento tem uma vasta produção acadêmica a respeito do protagonismo negro e das lutas enfrentadas por “homens e mulheres de ébano” em Santa Catarina. Por conta disso, a experiência e a militância política de Seu Adil não lhe passaram despercebidas. José Bento compartilhou com Paulo Rolando uma série de documentos e informações importantes a respeito do processo e da prisão de Seu Adil durante o regime militar.</p><p>Em suma, “Um exercício de memória”, de Paulo Rolando de Lima, é um livro bastante pessoal, escrito com afeto e sensibilidade. Trata-se de uma leitura fundamental para todos aqueles que se interessam pela presença e cultura negra no Sul do País e pelas formas de resistência aos autoritarismos da ditadura militar no Brasil.</p>						</div>
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							<p><strong>José Adil Blanco de Lima</strong> é professor de História junto à Universidade Estadual do Norte do Paraná e filho do autor.</p>						</div>
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		<p>O post <a href="https://querela.com.br/jose-adil-blanco-de-lima-sobre-um-exercicio-de-memoria-sobre-dona-dora-e-seu-adil/">José Adil Blanco de Lima sobre: Um exercício de memória sobre Dona Dora e seu Adil</a> apareceu primeiro em <a href="https://querela.com.br">Querela</a>.</p>
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